Paisagem na janela...
Sol à frente, cortinas abertas
e uma vida
inteira por viver. E o céu azul vem como singular
primavera colorindo meus olhos para as bonanças
do futuro, cheiro doce a invadir-me as narinas.
Há um sorriso a repousar na
soleira da porta,
vento fresco de outono a passar por meus cílios
espessos num acordar para as coisas bonitas...
Cheiro de café a despertar
sementes nesse
jardim de terra úmida que nutre, das folhas
que tremulam e dizem para a existência um sim.
Uma música vem de longe e
insiste em movimentar
tantas vidas, não é hora de estagnar os passos.
O espírito se aquece nesse correr tranquilo de dias
pacíficos, de alma serena, porque o coração
radiante, em prece, dá graças a Deus,
porque o divino em mim nunca esteve morto.
Amar é reavivamento nesse mundo
de tantos
zumbis, onde máscaras caem nesse teatro
dos horrores, monólogos de palavras malditas.
Enquanto por mim passam
borboletas e lavadeiras,
fazendo a dança dos renascimentos...
e giram em torno dos pensamentos que já não cabem
mais dentro da cabeça.
Flores pequeninas nascem entre
as pedras,
falam-me de persistência, porque a resistência
sempre me nasceu do lado esquerdo do peito.
Ainda as camélias rubras que
enfeitam os teus cabelos
lançam-me as luzes da esperança, clarificam-me os olhos,
dizendo-me que nunca será tarde...

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