Olho o horizonte imenso...
Tuas mãos vêm a mim como ondas
salgadas
que movimentam o Pacífico de minha vida.
Oferenda de flores que jogo nas correntes
da mãe das águas para impregnar em meus
poros as bênçãos que vêm nas gotículas
que o vento traz para encharcar minha alma,
deixando esse perfume que a natureza prepara
todos os dias e permanece em meu colo como
um colar de pérolas raras.
Dá-me tuas mãos,
e vem ver quantos oceanos há...
olhar este jardim
que se move sob as transparências misteriosas,
onde o sol penetra vagaroso,
vislumbrando as profundezas.
E, cigana, espalmo tuas mãos,
onde pouso
meus lábios para ler o teu destino e ver,
nesta cor bonita dos teus olhos,
onde queimam todas as fogueiras,
tochas que venho tentando manter acesas
por estes caminhos sombrios,
sinuosidades das escolhas.
Retiro o véu de tua cabeça
para te olhar com a mesma intensidade
com que o sol brilha no poente aberto
do teu corpo sedutor...
Lua a prantear nos prazeres
dessas noites
inteiras e intermináveis,
onde a tua pele recita minha poesia,
tecida nos sussurros do teu gozo,
onde minhas rimas cantam
todos os ritmos teus...
águas vivas em minhas águas outrora mortas.
Dá-me tuas mãos,
mergulhemos uma vez mais nesse mar,
orla caprichosa onde as estrelas vieram deitar-se
na areia para verem tuas mandalas brilharem.

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