SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

23 setembro, 2026

ESCRITAS DA CHUVA (Cacau Loureiro)

A precipitação desce fina e atravessa minha

pele. A saudade pontiaguda fere, mas

jamais há de matar minha coerência.


Quanto mais corro, mais as águas me

transpassam as roupas e encharcam-me

a alma desses dias de sol como lágrimas

de chuva a te rascunhar em minha janela.


E eu bebo teus sabores como um café da

manhã quente que me nutre o espírito das

grandes verdades: saber amar é altruísmo.


Ébano e marfim compõem músicas

inesquecíveis, dessas noites de sílabas

que transformam claves em alvoradas de

belíssimos dias. E essas melodias sempre

reverberam em minha mente e por todo o

meu corpo, numa dança de essências cruas.


Tua silhueta ainda se projeta como um

holograma de singular beleza, olhos de

diamante a reluzir em meu colo, pedra

preciosa a refulgir para caminhos futuros,

âmbar-gris a se fazer poente em minhas

tardes tranquilas... e como queima!...


Então, meus olhos abraçam o horizonte onde as

grandes pedras repousam seus milênios, banhando

a saudade nesse imenso mar de águas sagradas...

E eu permaneço em pranto e pena, a te escrever

como chuva doce a beijar teus lábios de promessas.



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