SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

07 maio, 2025

FOLHA SECA (Cacau Loureiro)

Guardo palavras... sonhos mantidos no amanhecer...

O branco alvorecer como tela do mundo traz-me

desenhos acinzentados e a chuva fria rasga os

papeis na mesa, mas, as minhas cartas intactas,

falam de verdades como arautos de um tempo novo,

porque autenticidade mata os superficiais, silencia

os faltos de afetos...

Há um olhar furtivo por entre as frestas da janela,

quando o acolhimento nos espera é para se ir agora... 

se não, seguiremos pelos caminhos do nunca mais.

Escritos em negrito são os gritos que guardei no

esfumaçado tempo, pretérito de lágrimas e saudade.

Mas, há uma serenata que entoa na madrugada um

canto de paz que reconstrói caminhos quebrados.

Na varanda a viola encostada na mureta descansa

sonhos partidos, músicas despojadas em baú de

alardes vãos.

Nos abastados rios de águas fecundas as pontes foram

arrastadas pela enxurrada da vida, também pelas almas

desidratadas, mas, o destino segue sua marcha.

Sob o pálido firmamento uma folha seca viaja pelo vento

morno dos indiferentes... Ah! Mas, eu olho para o céu,

espelho onde reflete minha alma, e eu vejo sim, sim

eu vejo, a esperança rebrilhar na amplidão azul celeste!... 

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