SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

07 março, 2025

ÂMBAR-GRIS (Cacau Loureiro)


Canções de sol fazem ritmo em meu peito,

cinge-me um clarão de melancolia no rosto

com um coração molhado em saudade...

A natureza canta suas cores de ave caída do

céu... pássaro alaranjado dos olhos dourados.

Asas da imaginação eu crio para voar ao teu

infinito de fluídos romanescos em profundo

azulino de ímpares sensações.

Eu vi os cristais do tempo em tuas águas

copiosas e eu encontrei um diamante de

rara beleza em reflexos cristalinos de vida

em plenitude, por isto quero colher as flores

rosáceas por estes caminhos corteses.

Dá-me ainda esse tempo cadenciado de

vozes sussurradas que compõem tuas cifras

belas, exuberantes, melodia harmoniosa em

perfume almiscarado, âmbar-gris em mágicas.

Dança comigo a valsa dos amores esperados

sem pressa, e, no entanto, tecidos em filigranas

caprichosos nas manhãs de dias quentes de findo

outono, em pré-verões de almas luminosas.

Que as tuas águas abundantes criem os cristais do

tempo nas tempestades da vida... e que tua chuva

argentada permeie para sempre os meus caminhos

como joia rara a valorizar toda uma existência!

 

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