SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

04 novembro, 2018

A NOITE DOS BOÇAIS (Cacau Loureiro)






















Há um correr nas ruas... um correr silencioso dos
que creem muito e o correr dos que creem em nada.
Olha para o alto ante o tormento da desesperança,
os céus falam... gritam para a terra degradada
que é preciso lutar, resistir...
Que sejamos, pois, a resistência na desesperança!
Os seres estagnados ainda não foram degredados,
a ordem imperiosa do progresso humano é partir.
Boçais nos perpetram a infâmia, a fome nos circunda
com a vingança nas veias, a ira varre as casas
edificadas no suor dos trabalhadores da última hora,
famílias edificadas no amor vêem-se em dissensões,
laços que se propunham eternos se equilibram no fio
tênue do ódio e do desentendimento, a liberdade que
nos fora cantos de paz hoje é chamativo para a guerra.
A irmandade dos homens presa no coto umbilical
dos que nasceram das armas, dos que perpetram o
mal como a chama da purificação aguardam pelo
holocausto em efeito dominó.
A bíblia queimada no egoísmo torpe dos detentores
da pseudo verdade sobrevive como palavra não como
ação, impulsão da passagem do Cristo pela terra como
a grande revolução.
Profetas de aduladores tecem os discursos sintetizados
nas redes onde os pescadores sangram suas mãos...
os arames farpados das guerrilhas disfarçadas de lei e
de ordem nas periferias edificadas pelo terror do
poder nos envolvem o pescoço como intimação.
Em derredor os grilhões dos falsos moralistas instilam
a separação.
O poder que nos cerca é podre, o poder que nos cerca é
cínico, o poder que nos cerca e sequestrador de almas,
é imoral, desnatural, tão boçal quanto aqueles que o instituiu.
A vitória embalada com tiros na noite escura prenunciaram
a morte do amor, a morte da liberdade, a morte do homem
pelo homem... porque o Brasil partido virou o país fascista.


Um comentário:

  1. A profundidade das verdades deste poema chega a doer... não por ser.cruel, mas por espelhar a verdade de dias terríveis que vivemos neste país.
    Que sigamos lutando, desejosos por dias melhores.

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