SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

16 setembro, 2015

ARCANOS (Cacau Loureiro)













Nos trilhos sem fim das grandes
cidades eu idealizo outros lugares,
outros sentimentos... sentidos.
Sombras e túneis, luzes corrediças
como as areias de nosso tempo...
Veloz... espectros do progresso.
As estradas como esfinges nos engolem
apressadas no duelo solitário de nossos
sonhos gigantes.
E, no entanto, nunca chego,
mas também, nunca parto.
O infinito cabe em meu peito
deslumbrante, incógnito, temeroso.
Na corda bamba de dias inúteis sou eu o
equilibrista e o bêbado a abrir um guarda
chuva sob as estrelas.
Estigma dos dias atuais a violência
sobrepuja o encantamento, mas poesia
ainda salva, dita ainda o ritmo das
palavras no dom maior de traduzir
o espírito humano.
E eu me abro ao tempo que escoa
como pó na ampulheta das esquinas,
nas horas fatigadas do trabalho.
Entre meus dedos habita o invisível,
o indizível de minha alma ali traçado
em minhas mãos... e eu profeta do
meu destino não sei decifrar os
seus sinais.

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