SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

06 agosto, 2015

PODRE DIAMANTE (Cacau Loureiro)


Oro aos céus pelo não desencanto...
Deve haver um tesouro no final do arco-íris...
Esperança que não se desfaz.
Transeuntes, passantes... De onde vieram
alguns de nós bípedes?!
Desconheço quem é meu irmão nesta longa
empreitada.
Vejo invernos no olhar de homens crus onde a
cruz do sacrifício nunca valera nada.
Despontam nuvens como silos de provisões
barganhadas, num ir e vir sem sentido, ao vento,
ao léu, pobres seres humanos!
Ah! Animais indomáveis! Onde é farta a coleta
do que pertence a outrem. Pois o cultivo do
mal não pertence a ninguém?
Há sons e burburinhos vindos de todos os lados,
discursos vazios, silêncios da não transformação
que nos primitiva o espírito.
Digerimos o que um dia já fora intragável, onde
o fumo e a lama são meros instrumentos, pois
a grande avalanche está dentro de nós.
Oro aos céus pelo não desencanto...
Constato os guindastes que revolvem a terra e
erigem edifícios construindo o solo que não
pertence a ninguém.
A coragem enterrada sob a chuva de balas não
alegra as crianças, não eleva os homens, legado
de sangue não nos faz florescer para a dignidade;
religiões que não entoam um hino, não recriam canções,
não nos promete a terra nova que estaria por vir e
que já pertenceu a humana raça.
Os fatos, as fotos, imagens e mãos não nos inspiram
mais a esperança.
A violência e a fome, um corpo no trilho como
bagagem abandonada, a pedra esfumaçada dos
zumbis das cidades que vislumbram monumentos
nem de bronze, nem de ouro e nem de prata e
na lata o podre diamante da modernidade onde a
morte salta aos olhos e a vida adormece...

 


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