SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 maio, 2011

ARDOR (Cacau Loureiro)



Jamais esquecerei este outono...

Na névoa da manhã o teu sorriso como

sol desperta-me para o clarão do dia;

vida a adentrar minha alma aberta, a

brindar meus olhos encantados...

Neste frio que me abraça, o teu halo

arrebatadamente liberta.

Não há dor quando o teu bálsamo é como

precipitação das chuvas a amansar a pele
térmica... solo abrasivo das paixões...
Acalma-me, pois, o peito com tuas mãos ternas,
faz-me eterna na dança das maiores emoções!

O ritmo da vida é harmoniosa canção quando

decifro as notas do teu coração pleno, da tua

expansiva aura.

Não há o que me detenha quando o teu ardor

levanta-me em entusiasmo, o teu aroma acorda-me

em louvores e o teu existir revigora-me em amor!...

24 maio, 2011

CANTADA (Cacau Loureiro)

Há algo de pele em nós dois, a tua voz
aguça-me, tuas palavras assustam-me,
teu tom atrai-me, busca-me de alguma
forma sensual.
Como uma essência de desejo afluindo
a mim, germinando assim uma vontade
de ir mais fundo, de ir além.
Uma liga doce, forte, carnal.
Eu quero sim, molhar meus lábios,
com meu batom delinear tua boca,
fitar teu rosto, em ver em teus olhos
o que está nos meus...
Não me importa o amanhã, o futuro
seja bom ou malsão... o agora é o
que interessa, sei da ansiedade, sei
da pressa, tu sabes também.
Contudo, permita-me...
Não quero ferir-te a alma, quero apenas
marcar teus lábios, timbrar teu corpo,
apenas, experimentar teu gosto... selar
esta vontade transpassando os meus
braços por teu pescoço... cheirar teu
rosto, extrair estímulos, sanar a sede,
refrear a pressa que agora me transtorna,
e não contorna esta distância.
Eu sinto, existe a química, como uma
força atrativa, radioativa, que é fluídica,
mas, que não vai embora, não evapora.
Eu quero o conto e o encanto do encontro...
Porque eu te “canto” todos os dias, com
todas as letras... mas, saibas que sou
comporta, sou represa, e minhas amarras
terás que desatar... tocar em mim, chegar
mais perto, falar baixinho, aquecer-me,
desdar os nós e me ganhar.

22 maio, 2011

ALMA RARA (Cacau Loureiro)

Hoje é um lindo dia para se ter saudade,
há tantos acordes nesta manhã ensolarada
que fazem canção em meu coração teso.
E eu canto feliz por me encantar com a
tua essência rara...
Pouso os meus lábios em teus lábios em
síntese e sagração aos nossos corpos...
A minha boca na tua é sopro de vida em
minha semimorta alma.
Na correria do mundo, ainda é belo assistir
ao milagre da vida, o amor que reacendes
em mim. Tu és aurora e pôr-do-sol em meu
poente, poesia para os meus poemas tortos.
Em teu semblante de alegria, alma rara, eu
procuro entender meus labirintos, a minha
vida de incógnitas.
Quando te olho e olho-me no espelho do
mundo há tantas órbitas, caminhos insanos...
É tanto querer que me habita, há tanto para
encontrar, descobrir, viver...
Por que todos os rumos levam-me a ti neste
mundo sem respostas?!
Há tanto ainda para se sentir, há tanto ainda
para se ter...
Minha viagem cármica mostra-me cruéis
humanos, direções opostas, mas, eu quero
e desejo ardentemente a mocsa!...

16 maio, 2011

CONTIGO EU CHEGO A MIM (Cacau Loureiro)


Quero contigo chegar a mim,
principiar o que não sou,
extinguir o que cansei de ser
e em ti conhecer-me.
Desvendar mistérios meus,
descobrir e revelar mais e
mais os teus, e sem acenos
de adeus, eu quero que
permaneças em mim.
Quero que mores em minhas
entranhas, sem lágrimas, sem
dores, sem segredos, sem
pudores...
Faça-me conhecer o mundo,
sem que eu me afaste de ti.
Bebas em mim a água mais
límpida dos rios menos tranqüilos
dos sonhos que eu teci.
Traga-me de volta o sorriso
de criança, minha mais doce
herança da vida que não vivi.
“Ah como pões dentro de mim,
a flor, a estrela, o vento, o sol,
a água, o sonho!...”
Ah, eu sei sim!
“Como contigo eu chego a mim!”
**VERSOS ENTRE ASPAS DE AUTORIA DE MANUEL BANDEIRA