SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

06 agosto, 2010

SALMO VIGÉSIMO QUINTO (Cacau Loureiro)


Senhor, aparta-nos da amargura, limpa
os nossos olhos, esgota-nos o fel.
Traz-nos bálsamo com a tua bondosa
santidade, pois temos andado à beira do
caminho e não mais avistamos os teus
verdes pastos.
Sinaliza-nos com o teu cajado para que
reconheçamos a renovadora esperança.
Pai, toca nossos corações para que a nossa
sensibilidade não esmoreça ante os ímpios.
Mostra-nos o caminho das tuas águas tranqüilas,
espraia a tua divina luz sobre as sombras em
que se fecharam nossos corações insurretos.
Esmaga com as tuas mãos poderosas a dureza
deste mundo aflito e afeito as coisas vãs.
Derrama a esperança sobre os perdidos e
mansuetude sobre os amargos desta terra.
Dá-nos de beber o teu leite farto de benesses;
Oh Eterno, tem misericórdia de nós!
Amansa oh Excelso, os nossos corações
selvagens com tua real e soberana gentileza!
Oh, Mestre, oferta-nos as tuas consolações,
porque caminhamos com sede de justiça.
Mostra-nos a tua libertadora verdade com
o teu manso olhar, com o teu maior amor
que nos é convencimento e entusiasmo.
Estanca nossos prantos que há milênios
abrem sulcos em tuas terras infindas e
feridas fétidas em nossos peitos duros.
Temos suplicado pela confraternização
e pela concórdia entre os homens, contudo
somos rebeldes para com as tuas eternas
palavras, avessos ás tuas verdades perpétuas.
Sacode-nos oh Pai, desperta-nos, oh Pai, para
a fé no futuro, acorda-nos para o trabalho para
o qual Tu nos chama hoje para o profícuo

enriquecimento de Tua seara de paz!...

9 comentários:

  1. Lindissimo este Salmo... Preferimos caminhar no deserto... e perscutar o longo silêncio á procura do Teu caminho... e o dos outros...Mas o silêncio apaga os Teus passos e os dos nossos irmãos...Faz com que aprendamos a humildade das areias... e deixa em nós apenas o essencial... e o sabor do sol.
    eijo e bom fds
    Graça

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  2. PARABENS PELO BLOG QUE CADA VEZ ESTA MAIS BEM PRODUZIDO.
    FELICIDADES
    JORGE ALVES

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  3. Hola, bello mensaje nos compartes en este maravilloso Salmo.
    no sabes cuanto anhelo que lelgue la paz a mi alma.
    feliz fin de semana y bendiciones para ti

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  4. "Você se torna o que você realmente mentaliza.Você atrai aquilo que você mentaliza. Pensamentos se tornam coisas."

    (do filme O Segredo)

    Feliz semana......Beijos M@ria

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  5. Belíssima e sentida oração...salmo de apelo à Deus diante da imperfeição que se mostra de forma nua e crua diante de nossos olhos...que Ele olhe misericordiosamente para cada um de nós...
    Querida...tenha uma linda semana!
    Meu carinho e beijos...
    Valéria

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  6. Oi amiga, que lindo....com certeza Deus estará sempre conosco...

    Beijos!!!

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  7. Chamo a isto rezar em profundidade...
    Tocou-me.

    Beijo :)

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  8. Oi, amiga Cacau
    Libertar-me da amargura... que graça!
    Os salmos têm esse mérito de orar com a alma e o coração... passa a ficar contrito... aí, a Graça acontece.
    Obrigada pelo post tão lindo.
    Bjm e votos de paz interior pra vc.

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  9. NUNCA IREI EMBORA

    A madrugada fala comigo
    sobre os auspícios da cidade,
    e da sacada onde moro
    avisto ao longe minha idade
    nos novos prédios que surgiram
    e nos antigos que ficaram,
    na solidão em que me encontro,
    no despertar do sol
    lá fora.
    Nunca irei embora,
    plantei minha vida no concreto
    e agüei com gasolina.
    Meu esqueleto é de ferro
    com os pés firmados numa esquina.
    Eu moro aqui,
    entre estações da vida toda,
    entre calçadas ocupadas
    onde não se caminha à toa.
    Talvez eu seja um espectro
    do emaranhado de pessoas.
    Não sei se vivo,
    se deliro,
    ou se sou patético.


    João Felinto Neto

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