SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 julho, 2010

ALBATROZ (Cacau Loureiro)


Tentei achar palavras, construí-las em
meu mundo destrutivo, desvalido.
As implosões que me consomem a
alma, tornam-me explosiva, impulsiva,
temperamental...
Neste mundo onde o edificar seria o
natural.
Mas, a intolerância queda os seres,

inverte seus valores, prega a violência,
abjura a decência, origina horrores.
Observo o mundo em sua correria,
aí está a origem de toda a minha
rebeldia.
Movo em meus versos a terra, o céu
que habita os seres, o mundo que
mora em nós, o meu próprio coração.
Queria... em palavras construtivas,
compor uma canção, falar de alegrias,
acalmar os prantos do submundo,
adoçar tantas bocas já amargadas,
libertar tantos sentimentos tolhidos...
Abraço o tempo, rolo pelo espaço,
quero ter noção de quantos eu abraço.
Globos longínquos nesta imensidão
do universo latejam em meu pulso,
esclarecem o meu espírito tão obscuro.
Busco a aurora dos novos tempos, que
trará a luz da libertação interior, da
doação sem limites, do amor. Não
tenho medo nem receios em me expor.
Toco os meus centros vitais, busco o
equilíbrio que jamais tive... jamais.
Deixei um dia que roubassem a minha
paz, mas, na minha mente, ainda a meta,
firme e forte, não me deixa, não se desfaz.
Podem pensar que fui vencida, sub-rogada,
subjugada... mas, ainda está liberto o meu
espírito, que vibra, está vivo, latente, vital...
que o sinto tão rijo, tão forte que transpasso
os limites siderais.
Não mais cairei em negros abismos, pois
que hoje a minha alma se ergue e prossegue,
sublime, celestial...
Nos caminhos da vida, nos rumos dos mares,
não mais verei Leviatã, porque a força que me
move agora, é corajosa,é sã.
Deixarei o passado nas cinzas, onde a brisa o
levará ao sol, onde o orvalho o beberá com a lua.
Não sinto mais amargor em minha língua, tampouco,
azedume em meu peito, sou e estou refeita,

pronta para a luta.
Não edificarei mais sonhos vãos...
Que venham as flechas, que me sangrem os
braços, que me calem a voz, que me ofertem
a dor... pois, sou aço, sou fogo, sou laço forte,
vou rumo ao sul buscando o amor.

3 comentários:

  1. A convicção do seu canto é tocante!

    Beijo

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  2. Ainda não tinha tido oportunidade de te vir visitar, hoje chegou. O nosso mal é a correria em que vivemos que acaba por não nos deixar viver, por não nos deixar gozar o que de bom temos. Beijinhos

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  3. Querida, li o anterior também...e este, mas vou comentar aqui...
    Você mostra a crueza da vida e da realidade, mas ao mesmo tempo, garra, força, discernimento...coragem... Profundos...e marcantes os seus versos...
    Beijinhos...
    Valéria

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