SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

20 abril, 2010

RÉQUIEM (Cacau Loureiro)


Não há paz em meu imo, no entanto, a
chuva lá fora encomenda um nobre hino...
miserere nobis,( tende piedade de nós).
Vozes ecoam em meu íntimo, todavia,
discursos não mais me comovem;
na roda do mundo, nas engrenagens da
vida, poucas coisas para frente se movem.
Meu espírito atirado, indisciplinado,
suspenso no espaço, recusa-se a mais
esta viagem profunda e fatigante.
Abjuro por instantes: Crer ou não crer?...
Partilhar o quê? Com quem? Para quê?
Vocações no meu ser represadas, há a
repugnância diante da perfídia que
sabota todos os atos de consciência, dá-lhes
misericórdia divina!...
Meus olhos de ver agora embotados, os
meus versos recolhidos, mas ainda minhas
mãos limpas. Enganam-se àqueles que acham
que me atraiçoam com mentiras!
Desta batalha bati em retirada, mas não
posso retroagir quando minha gema já
evoluída, experimentada sabe sobre todos
os fins escusos, das tentativas malogradas...
Por estradas sem canteiros locomovo-me,
não há flores no caminho, o ar seco esgota-me
as lágrimas, ressecam sementes em uma alma
há muito aprimorada. Lavro minha essência e
refreio o orgulho, insisto em banir o egoísmo;
neste mundo aviltado, maltratado pelo absurdo
dos seres, eu para frente prossigo.
Não há moeda que pague inspiração por longos
anos cultivada; não posso, não vou ficar muda
diante de falsas amabilidades trocadas, da
injustiça mascarada. Portanto, eu oro, faço
preces, "requiem aeternam dona eis, Domine..."
(Dá-lhes o eterno repouso, Senhor...)
para todos estes mortos vivos que falam!...

3 comentários:

  1. Cláudia! Texto: Réquiem. Misteriosas vozes ecoam em nosso interior, nos dando um alerta, ´nos chamando a Razão! Ser ou não Ser, às vezes são a questão! Texto sensitivo, forte entoação em busca sempre das verdades mas, as mentiras que corrompem verdades nos justos e fazem glórias as impuros de coração! Belo Réquiem, linda posição tomada pelo personagem. Parabéns. Beijo Robert.

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  2. Querida Cacau...texto forte...sensível...
    Vivemos em um mundo muitas vezes cheio de víboras...falsidades, mentiras...mas não nos contaminemos com o que é "podre" e nos sintonizemos no que for puro e bom... sejamos nós, limpos de coração e alma. E para os outros nossas orações e pedidos para que o Senhor deles tenha piedade.
    Beijos...

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  3. vc é bonita combina com seu blog com todo respeito

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