SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

27 abril, 2010

PERCURSO (Cacau Loureiro)


Sou eterna porque sou poeta, porque
o tempo é minha égide imortal.
As asas do autoconhecimento jamais
serão cerceadas pelos carcereiros do
mundo, tampouco, pelos traidores
da terra.
Eu não somatizo assombros... Eu
experimento alumbramentos.
Eu toco com a alma outras almas
tantas, pois que a palavra deu-me
o paraíso dos afetos e já não preciso
morrer para saber além desta vida.
A morte é uma quimera que não
me causa temor. Eu vejo com os
olhos do espírito e possuo a vida
em profusão.
Eu fito os olhos dos homens e conheço
seus segredos, porquanto os seus atos
materializam seus paleios.
Não há decepções permanentes, nem
mórbidas depressões, pois que todo

o poder humano é transitório e nós
somos meros passantes. O caminho

dos errantes na história fica para trás,
não altera a marcha do mundo, não
movimenta as pernas das eras.
Eu enxergo além da natureza humana,
pressinto bem mais que os seus atos
insanos.
Os ventos fortes que demarcam os
caminhos carregam as nuvens sombrias
para os vales desertos das pátrias
imateriais, morrem-me sem espanto.
Meus passos já não mais estacionam,
o verbo é o meu eixo e apoio, ah, os
cretinos da estrada não mais me
alteram a essência, não pesam mais
em meu bojo, são bagagens deixadas
nos trilhos do esquecimento...
E eu ainda vejo o céu azul sobre minha
testa, tenho o sol guiando os meus passos
e a chuva lava-me os medos.
Os carrascos cortam pescoços, e com isso
eles decepam suas próprias cabeças.
A obscuridade dos bosques reacende
a vontade indômita, o impulso descomunal
que me faz seguir adiante!...
Ouço música no alvorecer e alço vôo em
asas perfeitas, sobrevoo a eternidade, vou

de encontro a outro arrebol.
O meu futuro é logo ali, pois que ninguém
mais me detém a jornada. O progresso é

mais que esperança, para mim é verdade
sólida, para os covardes talvez seja insólita.
As causas dignas perduram altaneiras
e seguem os seus cursos provectos,
enquanto os hipócritas criam mofo com
vagareza.
O rio que represo é de águas abundantes,
cristalinas de manancial incomensurável,
correm em meio a natureza.
Amanheço como os pássaros, abro as
janelas do espírito, aspiro o mundo, porque
o mundo cabe em mim...

Todos os dias eu descubro maravilhada que
a vida é maravilhosa!...

3 comentários:

  1. Cacau minha flor...que riqueza de poesia... você encontrou a leveza da liberdade...do ver com os olhos da alma e isso é maravilhoso, pois nos faz crer que a vida é maravilhosa, apesar de tudo o que nos cerca.
    Beijos amiga...

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  2. Olá minha querida e sensível amiga Cacau Loureiro, em cada manhã linda de sol de outono, a sensação de descoberta da maravilhosa vida, invade sempre o coração...belo e expressivo poema, parabéns.

    paz e harmonia em sua vida,

    forte abraço

    C@urosa

    ResponderExcluir

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