SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

27 setembro, 2026

QUATRO CANTOS, QUATRO MÃOS (Cacau Loureiro)

Abri as cortinas...

Tuas mãos tocaram meu ombro, despertando
esta manhã em meu peito, antes mesmo que
eu avistasse o sol brilhando lá fora.

E o meu coração a cantarolar essa música bonita
que o perfume do teu banho espalhou pela casa;
quatro cantos, quatro mãos, um amor.

Eu bebo em tua companhia o néctar que me faz
sobreviver a este mundo louco e apressado.
E sorvo aos goles todo o bom gosto que emergiu
para eu viver esta vida... entusiasmo, contentamento,
seja o que for que me abriu esta fresta na existência,
para que eu vibre para viver esta grande devoção.

Avisto os trilhos, viagem que faço nesses vagões
de todas as minhas histórias. Ver paisagens é muito
mais que conhecer outros lugares: é encontrar a nós
mesmos nas visões que nos chamam aos aprendizados.

Olhos e ouvidos atentos, mas os grandes ensinamentos
nos chegam no silêncio, no escuro do quarto, nas penumbras
do lar, na poeira fina dos móveis que temos que limpar;
arrumar a cama, bater travesseiros, trocar as toalhas, porque
todo amor, para sobreviver, tem que ser arrumado no capricho
dos olhares intensos, no vigor das palavras honestas.

Porque poesia é metáfora, rima e pranto,
mas também verdades disfarçadas.

E minha clareza está exposta, vento a invadir
através da porta, a levantar os papéis, páginas
escritas, hora de saudades, hora de sorrisos...

Todo grande amor descansa dentro de nós,
como pó que todas as manhãs temos que
deslocar com as flanelas coloridas em mãos...

Porque todo sentimento maior repousa nas taças,
nos tapetes, sobre a mesa das conversas intermináveis,
do café, dos longos olhares, dos profundos
suspiros, ali quando nos perguntamos:

o que faremos hoje?...

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