Abri
as cortinas...
Tuas mãos tocaram meu ombro,
despertando
esta manhã em meu peito, antes mesmo que
eu avistasse o sol brilhando lá fora.
E o
meu coração a cantarolar essa música bonita
que o perfume do teu banho espalhou pela casa;
quatro cantos, quatro mãos, um amor.
Eu bebo em tua companhia o
néctar que me faz
sobreviver a este mundo louco e apressado.
E sorvo aos goles todo o bom gosto que emergiu
para eu viver esta vida... entusiasmo, contentamento,
seja o que for que me abriu esta fresta na existência,
para que eu vibre para viver esta grande devoção.
Avisto os trilhos, viagem que
faço nesses vagões
de todas as minhas histórias. Ver paisagens é muito
mais que conhecer outros lugares: é encontrar a nós
mesmos nas visões que nos chamam aos aprendizados.
Olhos
e ouvidos atentos, mas os grandes ensinamentos
nos chegam no silêncio, no escuro
do quarto, nas penumbras
do lar, na poeira fina dos móveis que temos que limpar;
arrumar a cama, bater travesseiros, trocar as toalhas, porque
todo amor, para sobreviver, tem que ser arrumado no capricho
dos olhares intensos, no vigor das palavras honestas.
Porque poesia é metáfora, rima
e pranto,
mas também verdades disfarçadas.
E minha clareza está exposta,
vento a invadir
através da porta, a levantar os papéis, páginas
escritas, hora de saudades, hora de sorrisos...
Todo grande amor descansa
dentro de nós,
como pó que todas as manhãs temos que
deslocar com as flanelas coloridas em mãos...
Porque todo sentimento maior
repousa nas taças,
nos tapetes, sobre a mesa das conversas intermináveis,
do café, dos longos olhares, dos profundos
suspiros, ali quando nos perguntamos:
o que faremos hoje?...

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