SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

17 setembro, 2026

LENÇÓIS DO TEMPO (Cacau Loureiro)

Roupas no varal... e a paz de dias nublados.

Vento frio a passar pelo meu corpo, calafrios
de saudade... Há um branco a refletir em meus
olhos que vivem longe, e se estendem no imenso
azul das belas passagens.

Dia a dia as estações do tempo perpassam
por dentro das entranhas, acordando-me
para a pressa de viver. A memória nos enche
de venturas, pensamentos que voam velozes
através do espaço para acalmar urgências.

Passo as mãos pelo invisível e ele toma corpo
quando o meu mundo se fecha em teu rosto;
há sempre uma música a me acompanhar
quando o teu sorriso tira sons dos meus lábios
silenciosos... orações ininteligíveis para quem
balbucia ausências, ainda quero perpetuar
teus traços em minhas mãos tão vazias...

Somente o perfume das flores que deixaste
em meus caminhos dá aos meus respiros
a vivacidade de que em algum lugar continuas
existindo; onde teus olhos de oriente moldam os
sons das cítaras que reverberam em meu peito.

Os pregadores das roupagens nos pregam peças,
e o tempo-será das crianças no quintal...

O sopro das sensações toldadas dá vida às
vestimentas desfraldadas das melancolias.

Recolho os andrajos da solidão, fecho-me
aos afazeres domésticos... e o sol dos teus
dias ainda brilha lá fora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.