Roupas no varal... e a paz de dias
nublados.
Vento frio a passar pelo meu corpo, calafrios
de saudade... Há um branco a refletir em meus
olhos que vivem longe, e se estendem no imenso
azul das belas passagens.
Dia a dia as estações do tempo perpassam
por dentro das entranhas, acordando-me
para a pressa de viver. A memória nos enche
de venturas, pensamentos que voam velozes
através do espaço para acalmar urgências.
Passo as mãos pelo invisível e ele toma corpo
quando o meu mundo se fecha em teu rosto;
há sempre uma música a me acompanhar
quando o teu sorriso tira sons dos meus lábios
silenciosos... orações ininteligíveis para quem
balbucia ausências, ainda quero perpetuar
teus traços em minhas mãos tão vazias...
Somente o perfume das flores que deixaste
em meus caminhos dá aos meus respiros
a vivacidade de que em algum lugar continuas
existindo; onde teus olhos de oriente moldam os
sons das cítaras que reverberam em meu peito.
Os pregadores das roupagens nos pregam peças,
e o tempo-será das crianças no quintal...
O sopro das sensações toldadas dá vida às
vestimentas desfraldadas das melancolias.
Recolho os andrajos da solidão, fecho-me
aos afazeres domésticos... e o sol dos teus
dias ainda brilha lá fora.
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