Visto o meu corpo de memórias...
Que ainda nebulosas vão se abrindo ao meu
olhar insistente quando busco o teu sorriso
naquelas noites que pareciam eternas.
Nada é para sempre...
Não sei se meu corpo acredita nisso, porque teu
cheiro ainda habita a minha pele, tecido por
tuas mãos de óleos essenciais.
Por teus sons singulares de promessas, por
teus sussurros de amor sem fim...
Eu sigo por estas novas rotas traçadas no
ímpeto de apagar sensações, mas elas são
tudo o que me resta para continuar por esses
atalhos que escolhi para apagar os teus rastros.
E tampouco sei se fui amada, porque as
desistências nos falam e nos ensinam sobre ser
tudo e ser nada ao mesmo tempo.
Interromper caminhos é como jogar a bússola
fora e adentrar a floresta obscura, feita de pinheiros
e ciprestes, pois a escuridão tem cheiro e corpo
materializados na ausência, como mulher que chora
sobre a inércia do ser amado que já se foi embora.
O passado parece ter sabor e presença, dor e
alívio, névoa fria e claridades, e assim prossigo
adentrando o desconhecido que procuro e sequer
consigo antever, porque a minha natureza é de
descobertas.

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