A música deste dia aprazível invade a
minha alma, como se fosse um sol
morno de fim de outono a correr pela
minha face num sorriso que espera
pelas coisas alvissareiras.
Felicidade não é porto, é caminho decidido,
é direção tomada, como velas içadas no
mar de um mundo muito perdido e louco.
Tantas histórias escritas num espírito viajante,
versos cantados em dias claros, em noites
escuras de puro breu, onde me achei e
também me perdi, e naveguei...
Mas as águas correm pelos lemes e ficam
para trás; e, se voltam, já chegam mudadas
pelos ventos, pelas intempéries que se renovam
a todo momento, ventos a renovar o rosto,
a purificar os cabelos, a lacrimejar os olhos.
Eu vou junto com as marés, em torrentes
ritmadas pelos desertos que atravessaram
o meu coração... singraram meu peito com
amor e sangue, com tormentas e tempestades,
com chegadas e partidas.
Às terras novas empreendo a minha nau...
Houve cais onde descansei a cabeça, colo quente
onde rascunhei tantos mapas... bússola de mim
mesma esquecida nos porões de imperitos
navegantes, seres perdidos em abstrações...
Mas agora fito as novas linhas do horizonte, aprendidas
nos naufrágios... águas turvas onde nadei e conheci ilhas
desertas para hoje ser timão, popa e proa... e neste mar
aberto, ser capitã de mim mesma!

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