SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

06 junho, 2026

MARÉS DE MIM (Cacau Loureiro)

A música deste dia aprazível invade a

minha alma, como se fosse um sol

morno de fim de outono a correr pela

minha face num sorriso que espera

pelas coisas alvissareiras.


Felicidade não é porto, é caminho decidido,

é direção tomada, como velas içadas no

mar de um mundo muito perdido e louco.


Tantas histórias escritas num espírito viajante,

versos cantados em dias claros, em noites

escuras de puro breu, onde me achei e

também me perdi, e naveguei...


Mas as águas correm pelos lemes e ficam

para trás; e, se voltam, já chegam mudadas

pelos ventos, pelas intempéries que se renovam

a todo momento, ventos a renovar o rosto,

a purificar os cabelos, a lacrimejar os olhos.


Eu vou junto com as marés, em torrentes

ritmadas pelos desertos que atravessaram

o meu coração... singraram meu peito com

amor e sangue, com tormentas e tempestades,

com chegadas e partidas.


Às terras novas empreendo a minha nau...

Houve cais onde descansei a cabeça, colo quente

onde rascunhei tantos mapas... bússola de mim

mesma esquecida nos porões de imperitos

navegantes, seres perdidos em abstrações...


Mas agora fito as novas linhas do horizonte, aprendidas

nos naufrágios... águas turvas onde nadei e conheci ilhas

desertas para hoje ser timão, popa e proa... e neste mar

aberto, ser capitã de mim mesma!

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