SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

19 junho, 2023

ARADO (Cacau Loureiro)


O novo de Deus nasce em contentamento... Como
quando naquele dia chuvoso em que tu consegues
ver o sol para além das nuvens que opacam a tua visão.
Quando tu respiras e olhas para o teu canteiro
simples e percebe que aquelas flores que vens
cuidando com esmero estão viçosas e se erguem
para o céu com a coragem de quem quer sobreviver
mesmo plantadas naquela terra ainda não tão nutritiva
para os seus caules sedentos, almejando pelo alimento
que as farão crescer mais e mais em detrimento da
missão de cada uma delas.
Acredito muito que o milagre vem através do deleite
por aquilo que está no gérmen, mas, que já deu sinais
que está próximo... a promessa.
A obra divina em nossas vidas não acontece como
nós homens construímos as coisas, pois, nossas mãos
ainda não são capazes desta edificação extranatural
que o divino tenta nos mostrar cotidianamente e nas
pequenas coisas que entremeiam nossas existências.
Quando o contentamento nos abraça, como aquele abraço
de avô e de avó, ele nos diz ao pé do ouvido que estamos
perto do entendimento... Ah! O Vislumbre!
É como aquele cheiro de café que nos acorda pela manhã
prometendo um banquete na casa acolhedora de nossas
certezas. A convicção do amor que nos move por dentro
e por fora. É um matar de fome que nos impulsiona ao
trabalho da edificação de nós mesmos, independentemente
daqueles que nos abalaram com palavras, atitudes ou a falta delas.
Porque contentamento advém daquele laço forte, aquele
que forjamos com nós mesmos e que se solidificou
desde quando e onde calcamos nossos carácteres,
raízes de uma dignidade e de uma força que provém
daqueles que já apreenderam alguma lição, o sopro.
Regalo é algo de nossos antepassados que mesmo
não tendo acesso as altas tecnologias nos ensinaram
o amor ao próximo e o respeito a si mesmos com poucas
palavras e firmes exemplos.
Que nos engrandeceram com suas histórias de
superação, de virtudes e de trabalho num tempo
em que para eles até Deus era tão distante...
Contentamento é aquela sensação de que o
Criador está dentro e está no exterior, e, está em tudo
e é conosco sempre, mostrando-nos a árvore da vida,
apresentando-nos os frutos verdes que haveremos de
esperar amadurecerem ao seu tempo, não nos eximindo
da seara e do arado da real transformação interior que
nos fará ver além de nós mesmos através da fé.

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