SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 setembro, 2019

PALAVRAS AO VENTO (Cacau Loureiro)













As letras se vão com o vento... Nas esquinas do mundo
não se encontram as palavras... o não dito maldito mata
ante os faróis acesos, pois que a noite caiu entre os homens.
A boa fé não cria as rimas sequer raízes, posto que as sílabas
estão mortas nas ruas desertas dos seres.
Palavras silenciadas nos guetos, o grito mudo e mordaz
corta as madrugadas que se estendem dias adentro.
Ante o fio da navalha a carne sangra... o peito cala.
Tento viver, sobreviver... choram as letras dos meus
versos perdidas nas esquinas deste mundo quase morto.
Todas as lágrimas não irrigam o solo seco dos desertos interiores,
pois no fosso dos malditos homens rotos nada nasce, nada cresce.
As feras estão soltas porque o discurso é de guerra nas arenas
febris do fanatismo, e doentes estamos, e seguimos em marcha
estendendo as bandeiras separatistas dos não humanos...
o que será que somos?!...
Os hinos de combate soam altos nas trombetas apocalípticas
dos senados e dos tribunais, os podres poderes silenciando a voz
da justiça que não existe e não se faz.

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