SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

16 setembro, 2009

VENTUROSO


Em conjecturas, em quimeras
depositei minhas mazelas...
a fadiga da estrada
não me fez desiludida.
Afinal, também posso escolher
em paz as minhas trilhas.
Nos dias inertes e sombrios
eu te clamei, pois que o
infinito é todo ouvidos.
Enquanto o céu conspira
a favor de nós, os seres piram,
mas, o frenesi de apaixonar-se
ainda valerá a pena.
Vias oblíquas, escusas
não me afastam da boa ventura,
das benesses do caminho.
Eu miro-te em atitude quase obscena,
mas não me disto,
o meu discreto impudor,
o teu que é quase regalo
só me induz aos teus apelos...
o meu colo, a minha voz,
a minha pele rogativos,
já não mais querem correr
contra o tempo,
contra o retardo,
o atraso,
o fracionado.
Eu quero tudo em ti,
o verdadeiro, o avesso,
o inteiro.
Já não mais quero limitar-te
à mesmice do tique-taque
do relógio, aos meus ponteiros,
não quero, em meu cronômetro,
perder as horas em que te acho,
em que me perco.
De braços abertos lancei-me
em tua dimensão...
cingi o espaço,
abracei-te...
ditoso abraço!...

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