SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

16 setembro, 2009

VENTUROSO


Em conjecturas, em quimeras
depositei minhas mazelas...
a fadiga da estrada
não me fez desiludida.
Afinal, também posso escolher
em paz as minhas trilhas.
Nos dias inertes e sombrios
eu te clamei, pois que o
infinito é todo ouvidos.
Enquanto o céu conspira
a favor de nós, os seres piram,
mas, o frenesi de apaixonar-se
ainda valerá a pena.
Vias oblíquas, escusas
não me afastam da boa ventura,
das benesses do caminho.
Eu miro-te em atitude quase obscena,
mas não me disto,
o meu discreto impudor,
o teu que é quase regalo
só me induz aos teus apelos...
o meu colo, a minha voz,
a minha pele rogativos,
já não mais querem correr
contra o tempo,
contra o retardo,
o atraso,
o fracionado.
Eu quero tudo em ti,
o verdadeiro, o avesso,
o inteiro.
Já não mais quero limitar-te
à mesmice do tique-taque
do relógio, aos meus ponteiros,
não quero, em meu cronômetro,
perder as horas em que te acho,
em que me perco.
De braços abertos lancei-me
em tua dimensão...
cingi o espaço,
abracei-te...
ditoso abraço!...

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