SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

26 agosto, 2026

REENTRÂNCIAS (Cacau Loureiro)


Eu quero ser triste com a tua ausência,

mas me encontro em ti, mesmo na lonjura

da saudade... sorriso aberto... Porque

pensar em ti é alegria que se vê.

Vou às ruas e ando a esmo, talvez para

não pensar em não te ter. A vida segue

quando te sigo, pois se move em meu âmago

a tua música, povoando meus sonhos

e pensamentos... em dobras de memória.

 

Todos os dias, a tua companhia, que já não

mais se esconde em mim... e eu sussurro

teu nome ao vento dessas tardes em que

meu corpo te chama.

Tua pele alva, aurora novedia, traz-me

o brilho do teu riso — sol que se levanta

com a vida que ainda se move em ti para

comigo.

 

Teu ser tatuado em meus poros, curvas

e estradas onde meu destino se perdeu

e, também, encontrou morada.

Arcanjos me contaram o segredo

da fonte da juventude: crescer no amor

que amo em ti, sempre contigo.

 

Ainda o teu sorriso me espreita nas longas

madrugadas em que te desenho nas paredes

do meu quarto... Furta-cor a

adentrar meus olhos e reentrâncias,

teu cálice a matar minha sede,

teu vinho doce a me entontecer.

 

E os teus pelos em minhas mãos são como

sedas orientais, vestindo a minha nudez

que, em teus braços, se fez de eternos

momentos em dossel de paixões.

 

Águas de março a se moverem nos alísios

mornos de um novembro inesquecível...

E eu, entre o desejo e o desamparo,

ainda encontro em ti

o lugar onde o meu coração

não aprendeu a partir.


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