Eu quero ser triste com a tua ausência,
mas me encontro em ti, mesmo na
lonjura
da saudade... sorriso aberto...
Porque
pensar em ti é alegria que se
vê.
Vou às ruas e ando a esmo,
talvez para
não pensar em não te ter. A
vida segue
quando te sigo, pois se move em
meu âmago
a tua música, povoando meus
sonhos
e pensamentos... em dobras de
memória.
Todos os dias, a tua companhia,
que já não
mais se esconde em mim... e eu
sussurro
teu nome ao vento dessas tardes
em que
meu corpo te chama.
Tua pele alva, aurora novedia,
traz-me
o brilho do teu riso — sol que
se levanta
com a vida que ainda se move em
ti para
comigo.
Teu ser tatuado em meus poros,
curvas
e estradas onde meu destino se
perdeu
e, também, encontrou morada.
Arcanjos me contaram o segredo
da fonte da juventude: crescer
no amor
que amo em ti, sempre contigo.
Ainda o teu sorriso me espreita
nas longas
madrugadas em que te desenho
nas paredes
do meu quarto... Furta-cor a
adentrar meus olhos e reentrâncias,
teu cálice a matar minha sede,
teu vinho doce a me entontecer.
E os teus pelos em minhas mãos
são como
sedas orientais, vestindo a
minha nudez
que, em teus braços, se fez de
eternos
momentos em dossel de paixões.
Águas de março a se moverem nos
alísios
mornos de um novembro
inesquecível...
E eu, entre o desejo e o
desamparo,
ainda encontro em ti
o lugar onde o meu coração
não aprendeu a partir.

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