LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

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REFLEXÃO

“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





20 de maio de 2018

AZORRAGUE (Cacau Loureiro)

















Calarei minhas inquirições, pois ante a
sua inquisição queimarei as cinzas que
nos restam...
Banho as feridas no sal do passado, a dor
faz tremer minhas entranhas porque
a cura depende de simbioses, da
transmudação da água em vinho.
Correm-me suor pelas mãos e meus
olhos não querem mais acreditar no
que vem de ti.
Gélida e oca eu sinto a minha alma,
deverá haver um bálsamo, um apanágio
para a distorção dos seres, para as confusões
do espírito e para o paradoxo dos torpes.
Eu quero como um nômade sedento ter visões
de oásis, de ilhas redentoras, sentir na pele
os ventos refrescantes.
Quadros que pintei... arco-íris, libações poéticas,
 a natureza morta da indiferença que me
mancha os sonhos e me escarnece o corpo
doem-me como os sacrifícios que elevei a ti.
Arranquei as vestes, entrego o sagrado que
cultivei na têmpera da coragem em nudez
aos açoites de seus conceitos arraigados
em bases idiossincráticas vazias.


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