SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

13 novembro, 2009

A CADA QUAL O SEU QUINHÃO (Cacau Loureiro)


A vida parece-nos em alguns momentos, mais simples do que julgamos, no entanto precisamos saber que nas nossas inter-relações somos cobrados diariamente e assumimos responsabilidades a cada sim e a cada não que proferimos ao outro. Quando já vivemos algumas etapas da existência, temos um complexo e dinâmico cabedal de experiências que nos fazem ter mais ou menos jogo de cintura para resolvermos os problemas do dia a dia. Precisamos saber que na vida que vamos construindo necessitamos e devemos mudar , agregar, transformar, apostar, redirecionar, partilhar, compartilhar vários outros conceitos que possam ser inseridos no nosso crescimento como criaturas. Ouvi dizer muitas vezes que tudo em demasia faz mal, desde manga com leite ao egoísmo extremo. Num mundo tão amplo de informações e que cada vez mais vamos exercitando nossa “liberdade”, e grifo aqui esta palavra, pois que a liberdade do outro termina onde começa a minha e vice versa, onde se discute até onde se pode ou não invadir a privacidade alheia, onde discursamos sobre a caridade e onde somos chamados comungar idéias e ideais, aí sim é onde estaremos sempre atravessando sobre uma corda bamba, porque exercer plenamente nossos direitos não determina que possamos sobrepor ao direito do outro, para isto mesmo temos códigos de conduta, as leis, decretos, a ética. Faço aqui esta explanação, pois que penso que em nossa jornada humana temos que assumir de fato todas as responsabilidades por nossos atos ou omissões. Parto do princípio que a partir do momento que assumo meus defeitos, qualidades e erros, pressuponho que o meu semelhante, o meu próximo possa também da mesma forma assumir os seus, até porque se eu tive uma boa formação educacional, afetiva, com valores morais relevantes para viver, estar em sociedade posso pensar com toda propriedade que os meus companheiros de caminhada o farão também. Portanto, quando me determino a trabalhar, estudar, namorar, casar, ter filhos, divorciar e tantas outras decisões que se nos apresentam pela vida temos diante de nós o que se chama “escolha”. E quando neste contexto processamos o que advirá do que escolhermos, isto se chama reflexão. Sim, era neste ponto que eu queria chegar, o da responsabilidade para com aqueles que caminham conosco, sejam eles amigos, filhos, companheiros, até mesmo os agregados que acabam fazendo parte da caminhada da gente, pais, sogros, cunhados, madrastas, padrastos e etc. Cada um deles tem, irremediavelmente um valor para nós, em escala de necessidades afetivas e outras mais. Acredito que não viemos à vida a passeio, embora não seja uma assídua da Bíblia Sagrada, tenho dentro de mim a consciência e a convicção de que fomos feitos para um objetivo maior, acreditemos ou não em dogmas e doutrinas. Você assim como eu temos o direito de parar, estacionar, retroceder, seguir adiante, recomeçar em nossos sonhos e aspirações, nunca nos esquecendo de que cada escolha é um compromisso que assumimos perante a vida.
A vida é risco, também determinação, perseverança, compromisso, sorrisos, lágrimas, satisfações e insatisfações, glórias e decepções, e em algum momento podemos até mudar sua direção, mas sempre com consciência e senso de responsabilidade.

"Não há ganhos sem perdas, nem perdas sem ganhos."

Assim caros amigos que me leem, acreditem, sempre assumirei as minhas responsabilidades, sejam quais forem as conseqüências dos meus atos, mas assim também espero que o meu companheiro de jornada as suas assuma. Não ponham as suas escolhas na minha conta, pois em algum momento sei que serei solidária, ajudarei em suas dificuldades, apoiarei nos momentos difíceis, abdicarei por amor, por respeito, por direito, por reciprocidade, por ética, por vários motivos, e sempre estarei a postos quando os meus valores forem chamados ao trabalho da edificação humana, mas que cada um carregue a sua cruz porque a minha também é pesada.

REVESES DA COMUNICAÇÃO (Angelina Garcia)


Reclamamos, muitas vezes, da dificuldade em se entabular um diálogo com determinadas pessoas, pois tudo o que dizemos é mal compreendido, podendo desencadear ásperas discussões ou até rompimentos. Quanto mais tentamos nos explicar, maior a confusão.

A comunicação não ocorre de modo direto, como às vezes se supõe; ou seja, de um lado um emissor, de outro um receptor, bastando uma língua comum para que a mensagem seja decodificada. Além da língua, várias outras condições estão implicadas na produção de sentidos entre interlocutores.

Assim sendo, recebo e interpreto a fala do outro a partir não só de conhecimentos partilhados, ou da minha posição ideológica, ou da memória racional de outros sentidos despertados daquele dizer. Entram também as sensações guardadas, relativas às condições psíquicas e emocionais do indivíduo, que são mobilizadas pelo que o outro diz.

Algumas pessoas tomam, com frequência, como crítica pessoal, aspectos do comportamento humano rejeitados pelo senso comum, os quais, em conversa descontraída, alguém levanta simplesmente a título de observação ou de questionamento próprio. O que levaria uma pessoa a se sentir alvo constante do olhar alheio? O que a faz pensar que tudo o que o outro diz de negativo quer se referir ela?

Se por um lado encontramos a insegurança; por outro, ou pelo mesmo, observa-se certo egocentrismo nesse comportamento.

A insegurança resulte talvez de uma história do sujeito marcada por rejeições do seu ciclo familiar e outros, pautadas na idéia de certo e errado e, consequentemente, pelo pecado e culpa, os quais contribuíram para minar sua autoestima. Desse modo, ele espera sempre que pessoas à sua volta continuem observando o que, a seu ver, ele tem de pior. Mesmo quando a fala do outro não lhe é dirigida diretamente, ele produz sentidos dentro dessa sua condição de inseguro.

É pela insegurança, também, que esse sujeito se encontra centrado em si, como se precisasse, o tempo todo, defender-se de alguma acusação. Dentro desse quadro, ele oferece poucas possibilidades de troca; a comunicação fica truncada, pois cada vez que se sente atingido durante o diálogo, ele o interrompe para se defender, justificar-se, ou, no mínimo, certificar-se se o outro está ou não se referindo a ele. E, assim, não é possível aprofundar ou ampliar a conversa.

(Angelina Garcia é especialista em Linguagem, com cursos em Processo Criativo e Psicologia Profunda; Análise do Discurso e Neurolingüística)

12 novembro, 2009

SEARA (Cacau Loureiro)

Em voo libertador eu pego em tuas mãos,
Somos como grãos de areia na montanha
Das promessas...
O altíssimo olha do cume as sementes que
Disseminamos, pois o chão recebe em graça,
Sequioso, os sonhos que engendramos.
Somos, entre muitos, os escolhidos na seara
Da bondade, talvez não sejamos dignos
Da responsabilidade que arcamos.
Nutrimos o entusiasmo, que é benção e
Dom supremo; rebrilha como auréola sobre
Nossas cabeças ilustradas.
Todavia, a força que vem do alto é soberana
E santíssima, está em nossa fronte como
Escudo e broquel.
Carregamos o destemor em nossos âmagos
Consagrados, não tememos o inimigo, pois
Que a fé nos abjugou...
Abjuramos os vãos sofismas, pois a equidade
É quem liberta, arrebenta os grilhões da
Falsa e torpe caridade.
Nossos olhos vêem as cenas tristes, nossos
Lábios calam muitos lamentos!...
Mas o impulso do Criador renova suas criaturas,
Fortalece eternos laços na seara da virtude.
Apascentamos nossos espíritos na força do
Supremo, circundando nossos chacras e
Criando novos mantras... Somos uno no
Princípio eterno, fluido batismal energizando
nossos corpos em policromas formas; em dons,
Em luz, em verdade que liberta!...

FORJANDO A ARMADURA (Rudolf Steiner)


Digo não a submeter-me ao medo
Que me tira a alegria de minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Quero viver, não quero encarcerar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro, não para encobrir meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor, não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim;
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, para o inaceitável, por medo de não me sentir seguro novamente.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de ser, caso contrário, ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao Amor.
E quero crer no reino que existe em mim.

PORTAS DA VIDA (Içami Tiba)


Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala.
Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre.
O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobrem-se tantas outras portas.
E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa.
Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente.
É a repetição perante a criação, é a monotonia... A estagnação da vida.
Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!

E VAMOS SEGUINDO PELAS PORTAS DA VIDA!

10 novembro, 2009

A RÃ E O ESCORPIÃO (La Fontaine)

O fogo crepitava feroz e avassalador. Na margem do largo rio, que permeava a floresta, encontram-se a rã e o escorpião.

Lépida e faceira, a rã prepara-se para o salto nas águas salvadoras. O escorpião – que não sabe nadar – aterroriza-se ante a morte certa, ou estorricado pelas chamas ou impiedosamente tragado pelas águas revoltas.

Arguto, e num esforço derradeiro, implora o escorpião:

– Bela rã, leva-me nas tuas costas na travessia do rio!

– Não confio em ti! Teu ferrão é inclemente e mortal – responde a rã.

– Jamais tamanha ingratidão. Ademais, se eu te picar, morte certa para nós dois.

– É verdade, pensou candidamente o bondoso batráquio. En­­tão suba!

E lá se foram, irmanados e felizes. No entanto, no meio da travessia, a rã é atingida no dorso por uma impiedosa ferroada. Entremeando dor e revolta, trava o derradeiro diálogo:

– Quanta maldade! – exclama a rã, contorcendo-se. – Não vês que morreremos os dois?!

– Sim – responde o escorpião – Mas esta é a minha natureza!

MAIS OU MENOS (Chico Xavier)

A gente pode morar
numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir
numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos
e até ser obrigado a acreditar
mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir
que tudo está mais ou menos,
tudo bem!

Mas o que a gente não pode mesmo,
nunca, de jeito nenhum:
É amar mais ou menos,
é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos,
é acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
uma pessoa mais ou menos.

DISSIMULAÇÃO (Irineu Deliberalli)

Popularmente, o dissimulado é uma pessoa que propositadamente procura encobrir os seus sentimentos ou até atitudes, pois tem algum interesse em se manter assim, visando obter alguma vantagem da situação. Certamente, todos nós temos encontrado e convivido com diversas pessoas assim, que possuem uma falha tão forte de caráter que julgam os caracteres das outras pessoas pelas deformidades do seu pensar e, não é raro, estas pessoas se tornam mesquinhas, egoístas, exclusivistas. Mas não é só para obter vantagem, mas também por causa do medo que o outro o perceba e descubra que no seu interior, fervem sentimentos desajustados, inconseqüentes e, para muitos, incontroláveis. A dissimulação é um enorme mecanismo de defesa, pois o que tenho em mim, o que sinto dentro de mim ou minhas idéias e sentimentos são tão inconfessáveis, condenáveis ou egoístas, que eu não consigo dividir com ninguém o que vai no meu coração. Por que será que um ser humano se torna assim? Para explicar um pouco melhor vamos, em primeiro lugar, afirmar que a dissimulação é uma das maiores doenças do nosso ego, se não for a maior. Entendemos que ela deve ter surgido, pelo menos aqui no planeta Terra, para encobrir as emoções negativas que foram geradas entre as nossas diferenças. Num determinado momento da vida planetária, quando já estávamos vivendo a 3ª geração de seres ascensos aqui na terra, chegaram seres de outros espaços do universo e vieram habitar entre os terráqueos, trazendo seus vícios, seus costumes e maneiras diferenciadas de culturas. Encontraram aqui na Terra pessoas que viviam num ideal de elevação, todos trabalhando para o mesmo fim, vivendo experiências semelhantes e tinham no amor, sem o apego e com a participação coletiva, a grande força da população terrena. Aqui se vivia uma geração de homens que praticavam o amor. Os seres vindos de outras galáxias, bem mais experientes, com altíssima tecnologia, vieram para cá por não terem aprendido a vivenciar a experiência do amor. Os planos superiores do universo permitiram que estes seres viessem trazer um padrão novo ao planeta. Vir ajudar a implantar, no planeta, uma nova civilização que aliasse tecnologia, conhecimento e amor. Assim, na Mãe Terra, como biblioteca viva de experiências universais, seria implantada uma das civilizações mais especiais em termos de perfeição física e desenvolvimento de uma psiquê rica em conhecimentos e vivências. Tudo o que ocorreu depois foi conseqüência da maneira como entendemos estas diferenças e de como lidamos com os medos, culpas, ansiedades, inseguranças, que estas diferenças nos trouxeram. Tudo foi e ainda é uma grande fantasia. Eu fiquei com medo do outro, pois ele tinha um saber ou uma experiência diferente daquela que eu tinha e isto me provocou o surgimento de uma intensa necessidade de esconder meus sentimentos, daí desenvolvi a dissimulação. Moreno, fundador do Psicodrama, foi tirar do teatro grego as personas, ou seja, as máscaras; por volta de 1923 em Viena, Áustria, ao criar o teatro da espontaneidade, os personagens se baseavam nas experiências do teatro grego, onde os atores da Grécia antiga usavam máscaras na hora de representarem, e com Moreno, usavam as máscaras da própria personalidade, pois quando os atores das encenações públicas faziam no palco papéis semelhantes aos da sua vida real melhoravam de seus conflitos e praticamente mudavam seus comportamentos. Para se entender melhor, quando faço a catarse ou enfrento um sentimento tenho a chance de me libertar do seu domínio, sentir o alívio que esta libertação representa. Se quem dissimula soubesse que se enfrentasse a sua dificuldade e saísse da fantasia do medo de revelar suas reais intenções poderia viver muito melhor, seria mais livre e feliz. Bem, e eu, como fico com a dissimulação? Serei igual a esta pessoa descrita acima? Como meu caráter se relaciona com a dissimulação? Ao nível do senso comum, sem entrar na patologia da dissimulação, podemos dizer que a dissimulação está presente em todos nós. Certamente ela nos tira diversas oportunidades de crescimento pessoal, de enfrentamento de nossas realidades internas e de nossa verdade pessoal e universal. Quando dissimulamos, não enfrentamos nossa verdade e fugimos de nossa realidade. Aquela realidade de conteúdos nossos ou dos outros, que não queremos enxergar. Ver a nossa realidade, muitas vezes dói. Também me fragiliza ver as coisas que não gosto em mim e que não quero, ou não sei como mudar. E então me pergunto: Como mudar uma estrutura cristalizada, arraigada, atrás da qual me escondo, para que ninguém veja a realidade de sentimentos e de alma? Mexer com meu padrão mental e de vícios é uma coisa bastante difícil e poucas pessoas estão disponíveis para tal. Mexer dói, nos acovarda, nos diminui, nos afugenta de nós mesmos e aí a dissimulação entra para nos proteger, tentando manter a fantasia anteriormente estabelecida. Voltando à pergunta de como mudar: a experiência tem me mostrado que, em primeiro lugar, eu só mudo o que quero mudar. O segundo passo para a mudança é a intenção de mudar. É reconhecer que mudando serei melhor, que ganharei mais qualidade de vida. O terceiro passo é o comprometimento. Me comprometer com o objetivo da mudança, assumir responsabilidades, correr os riscos que qualquer mudança traz. E nada disso ocorrerá se antes da intenção e comprometimento, eu não resolver algo mais especial e importante que tudo: a paixão... A paixão pelo padrão adquirido. Preciso substituir a paixão por algo mais prazeroso do que ela. Você está disponível?

(Irineu Deliberalli É Psicólogo Tradicional e Transpessoal/Xamânico)