SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

10 novembro, 2009

A ARANHA, O GAFANHOTO E O CAMALEÃO (La Fontaine)

A ARANHA, O GAFANHOTO E O CAMALEÃO (Fábula de Jean de La Fontaine)
A aranha, o gafanhoto e o camaleão habitavam o aprazível bosque da cidade. Conviviam a uma distância razoável, pois, reciprocamente, temiam as artimanhas que sempre eram recorrentes.
A aranha foi a primeira a urdir:
– Meu caro gafanhoto, sejamos previdentes e cuidadosos! O camaleão é o rei dos disfarces, muda de cor e a gente nem percebe.
– É mesmo! – completa o gafanhoto. Ele fica nos troncos das árvores com cara de “boi-sonso” e é só passar por perto que ele estica aquela língua imensa e... “crau!”.
– Sim, companheiro, sempre alerta! continua a aranha. – Eu passo o dia fiando, mas é um olho na teia, o outro no ca­­maleão. Você sabe, o seguro morreu de velho. Precaução e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, dizia a minha avó.
– Belos conselhos, Dona Ara­­nha. Esse camaleão é o mestre da desfaçatez, é o rei da dissimulação.
– Vá por mim! Dificilmente eu me engano! – E tem mais disse a aranha sussurrando. O camaleão tem uma armadilha mortal! Chegue mais perto, meu caro amigo gafanhoto, que eu lhe contarei.
Ingenuamente, o gafanhoto se aproxima e se enrosca todo na teia. Diante da morte certa, fica a pensar o quanto foi bobo em confiar na ardilosa aranha.

08 novembro, 2009

QUE REI SOU EU?! (Cacau Loureiro)


De súbito o portal abriu-se feito um clarão
e o insight guardado na arca do tempo
surgiu em minha memória tal qual trovão.
De repente todo o imaginário desejou ser realidade...
Adentrei o paralelo mundo e vislumbrei o encanto,
o contentamento supra-humano de um corpo
essencialmente mortal.
Nas vastas glebas, sementes perfumadas confiei nas
mãos de tirano carrasco vestido em seda colorida.
Depositei singular tesouro em castelo soberano,
mas, não há solo fértil para mãos envenenadas!...
Oráculos seculares na roda da vida ditaram a
minha história.
Meu espírito antigo no vórtice do tempo viajou
para encontrar várzeas floridas.
Há descaminho na trajetória de um ente que
recebeu divino sopro?!
Ouvi um eco no buraco do tempo:
És andrajo, és louco!!!
No espaço-tempo eu não previ a escassez
humana, o tão pouco.
Como guerreiro eu entreguei a minha adaga na
confiança da palavra dada, na suposta nobreza
das humanas índoles.
No entanto nas searas por onde andei mil
vozes gritavam-me: batalha, batalha!!
Onde existirão os nobres reis, as diáfanas donzelas,
pois que meu coração foi jogado aos leões ávidos.
Nas arenas onde travei tantos embates a besta fera
permaneceu no anfiteatro da espera.
Sangue e areia, carne exposta ao abutres testemunhei.
Nos aplausos que escutei... Será? Talvez?...
Cadê os príncipes, cadê os reis, damas da corte,
cavalheiros gentis?
Tragicomédia, burlesca fábula em que eu piamente
acreditei!...
Na seiva nobre derramada deste plebeu o golpe sujo
muito doeu.
Não tive exércitos, não tive méritos, não fui julgado
honestamente ante os tribunos à luz da lei.
Não tive cetro, não tive manto...
Minha coroa jogada aos cantos cunhada em ouro
e diamantes foi meu broquel, foi minha espada,
foi o meu pranto, foi a minha força, foi o meu
lamento, foi o meu código, foi a minha honra,
também minha sentença máxima e profana.
Que rei sou eu?!

CONVERSÃO (Cacau Loureiro)


Os sonhos que sonho não são carregados
em mochilas. Porque o amor é uma viagem
sem bagagens e de coragem.
Quando as aspirações são partilhadas a dois,
não há espaço para a multidão...
Nossas escolhas não nos dão direito de viver
o mundo em seus infinitos aspectos materiais,
mas sim, permanentemente os seus aspectos
espirituais.
O sentimento maior percebo de fato, é para alguns,
e são alguns poucos escolhidos, basta deixar-se
escolher.
Os meus valores, aqueles depositados no altar do
meu auto-respeito não tem o preço que querem
pagar, pois que prezo o que cultivo em meu peito,
posto que meu espírito tem a têmpera dos que
vieram para transformar.
O progresso do meu ser como trabalhador
que colhe o sal da terra poderá ser refreado
pelos golpes da existência, pelos inimigos ocultos.
Mas a evolução de minha alma neste mundo
será como grandes ondas a me levarem adiante.
Por isto eu creio, tenho fé inabalável nos louros
que me esperam.
Os meus erros, bem os sei, porquanto, minha
consciência é gema falante em meu imo
determinado e perseverante.
Quando no amor somos duo, o caminho tem
que ser um só e único, o da doação sem limites.
Não posso trilhar os avessos, os anversos,
os paradoxos, em egoísmos arreigados,
em vaidades obstinadas.
As pragas devoram o que temos de melhor
e depois vomitam... assim como as traças
destroem o velho e o novo.
Há o sol no céu, há a vontade no cerne,
porém, a metamorfose dos justos é feita
sob a luz de promessas excelsas.
Eu creio na conversão profícua...
Porque os ímpios, falsos, hipócritas verão
diante da luz que cega, e domina, e cura tudo
a grande transformação!...

07 novembro, 2009

RESPEITAR-SE A SI MESMO (Jorge Waxemberg)



"... RESPEITAR-SE A SI MESMO
Embora ninguém seja o centro do universo, toda alma é expressão do divino. Por isso deve expressar com sua vida sua reverência ao divino. Se bem que seja livre para viver como quiser, a consciência que ela tem de seu potencial espiritual não lhe permite viver de qualquer maneira, atirar-se a qualquer experiência ou deixar-se levar por impulsos inconscientes. A possibilidade de expandir a consciência até abarcar o cosmo está em nós, a maneira como vivemos deve refleti-lo. O respeito e a reverência à presença divina no próprio interior devem presidir a relação consigo mesmo.

SER VERAZ CONSIGO MESMO
O respeito a si mesmo leva o ser humano a encarar-se objetivamente, a ser veraz, a amar a verdade por sobre todas as coisas. No entanto, há nos seres um apego ancestral tão grande a si mesmos que inconscientemente tendem à autojustificação, à autocompaixão, à autocomplacência. O que se pensa, sente e faz sofre a influência do afã de proteger a própria imagem. Para ser veraz consigo mesmo é necessário transcender essa tendência, produto do instinto de conservação.
Para ser veraz consigo mesmo deve-se manter distância com respeito a si mesmo e com o que nos ocorre. Com respeito a si mesmo, porque aplicando meios objetivos de conhecimento pode-se fazer uma avaliação mais completa e impessoal. Com respeito ao que nos ocorre, porque só o tempo localiza as experiências em seu lugar e dá serenidade necessária para compreendê-las.

NÃO SE IDENTIFICAR COM AS VICISSITUDES PRÓPRIAS DA VIDA E DO DESENVOLVIMENTO
Na medida em que alguém se identifica com suas experiências, perde a capacidade de entender o que acontece consigo. Deixa de distinguir a diferença entre o que ele é e o que lhe acontece e fica preso em seus estados mentais e emotivos. Vive uma ilusão a respeito de si mesmo; suas percepções e avaliações são tão subjetivas que não aproveita suas experiências como deveria. Por isso, repete-as muitas vezes sem entendê-las completamente.
Quando estamos a mercê do que nos acontece, vivemos para nós mesmos. Não percebemos os pontos de vista nem as necessidades dos outros. Não nos damos conta de que ao olhar somente para nós mesmos e de nos importamos apenas com o que ocorre conosco, descartamos a possibilidade de expandir nossa consciência. A vida nos escorre por entre os dedos enquanto oscilamos entre sentimentos de irritação, exaltação ou depressão.
Não adianta que nos irritemos quando acontecem coisas que nos desagradam, porque a raiva não evita os erros cometidos nem muda a realidade. Os erros são valiosos quando aprendemos através deles e não repeti-los e a manter o espírito de humildade.
Não adianta que nos exaltemos ao obter êxitos, porque a exaltação não melhora o que já foi realizado e rouba energia que se necessita para dar o próximo passo no desenvolvimento. Quando os triunfos são usados para viver-se de sua recordação ou para que nos sintamos superiores aos demais, perde-se seu fruto. Os êxitos são realizados quando servem para que continuemos a avançar, ainda que a próxima etapa seja difícil e incerta.
Não adianta nos deprimirmos ante as dificuldades, porque a depressão não contribui para superar o problema que nos entristece nem torna a realidade mais suave. Não se pode esperar que a vida consista numa sucessão de fatos prazenteiros. Quando aceitamos o sacrifício inerente à vida, superamos os altibaixos das experiências difíceis e vivemos em paz.
O ser humano deve se relacionar consigo mesmo como o professor se relaciona com seu aluno; aceitando, ensinando, corrigindo, estimulando: dando sempre a si mesmo o necessário para alcançar e manter o equilíbrio interior.
Ao fazer consciente a relação consigo mesmo, o indivíduo se localiza como parte inseparável do Universo, aprende a respeitar-se, a ser veraz consigo mesmo e a identificar sua individualidade. Dessa maneira estabelece uma relação entre o que sabe que é e o que habitualmente acredita ser, quando se deixa levar por suas emoções ou pelas idéias que assimilou de outros sem reexaminar seus fundamentos. Na medida em que essa relação se aprofunda, aprende a não se encerrar em si mesmo, porém a responder a sua necessidade de expandir sua consciência e de dar significado a sua vida."

(Do livro A ARTE DE VIVER A RELAÇÃO de Jorge Waxemberg - direitos da ECE)

A MISÉRIA HUMANA (Revista Espírita)

A miséria humana não está na incerteza dos acontecimentos que ora nos elevam, ora nos rebaixam. Está inteira no coração ávido e insaciável, que incessantemente aspira a receber, que se lamenta da secura de outrem e jamais se lembra da própria aridez. Essa desgraça de aspirar a mais alto que a si mesmo, essa desgraça de não poder satisfazer-se com as mais caras alegrias, essa desgraça, digo eu, constitui a miséria humana. Que importa o cérebro, que importam suas mais brilhantes faculdades, se elas são sempre ensombradas pelo desejo amargo e insaciável de algo que lhe escapa sem cessar; a sombra flutua junto ao corpo, a felicidade flutua junto à alma, para ela inatingível. Contudo, não vos deveis lamentar nem maldizer a sorte. Porque essa sombra, essa felicidade, fugidia e móvel como a onda, pelo ardor e pela angústia que deposita no coração, dá-nos a prova da divindade aprisionada na humanidade. Amai, pois, a dor e sua poesia vivificante, que faz vibrar vossos Espíritos pela lembrança da pátria eterna. O coração humano é um cálice cheio de lágrimas; mas vem a aurora, que beberá a água dos vossos corações; ela será para vós a vida que deslumbrará vossos olhos, cegos pela escuridão da prisão carnal. Coragem! cada dia é uma libertação. Marchai pelo caminho doloroso; marchai, acompanhando com o olhar a misteriosa estrela da esperança.
(Revista Espírita de 1860).

06 novembro, 2009

A RECOMPENSA EM INFELICIDADE (OSHO)

A miséria tem muitas coisas para lhe dar que a felicidade não pode dar. De fato, a felicidade tira muitas coisas de você. A felicidade tira tudo aquilo que você sempre teve, tudo aquilo que você sempre foi, a felicidade lhe destrói.
A miséria nutre seu ego e a felicidade é basicamente um estado sem ego. Este é o problema, o ponto crucial do problema. Eis porque as pessoas acham muito difícil serem felizes.
Eis porque milhões de pessoas no mundo tem que viver na miséria… decidiram viver na miséria. Ela lhes dá um ego muito muito cristalizado. Sendo miserável, você é Feliz, mas você não é. Na miséria, a cristalização; na felicidade você fica dissolvido.
Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A miséria lhe torna especial. Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário.
A miséria torna você capaz de atrair a atenção das pessoas. Quando você é miserável você é assistido, simpatizado, amado. Todo mundo começa a cuidar de você. Quem vai querer magoar uma pessoa miserável? Quem tem ciúmes de uma pessoa miserável? Quem vai querer ser contra uma pessoa miserável? Isso poderia ser muito maldoso.
A pessoa miserável é cuidada, amada, assistida. Há um grande investimento na miséria. Se a esposa não for miserável o marido simplesmente tende a esquecê-la. Se ela for miserável o marido não pode se permitir a negligenciá-la. Se o marido for miserável toda a família, a esposa, as crianças, estão ao seu redor, preocupados com ele; isso dá grande conforto. A pessoa sente que ela não está só, a pessoa tem uma família, amigos.
Quando você está doente, depressivo, na miséria, os amigos vêm visitá-lo, vêm confortá-lo, vêm consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com ciúmes de você. Quando você está realmente feliz, você vai ver que o mundo todo se voltou contra você.
Ninguém gosta de uma pessoa feliz, porque a pessoa feliz fere os egos dos outros.
Os outros começam a sentir, “Então você ficou feliz e nós ainda estamos rastejando na escuridão, na miséria e no inferno. Como você ousa ser feliz quando estamos todos em tal miséria!”
É claro que o mundo consiste de pessoas miseráveis e ninguém é bastante corajoso para ir contra o mundo inteiro; é muito perigoso, arriscado demais. É melhor se apegar à miséria, isso mantém você como parte da multidão. Feliz, você é um indivíduo; miserável, você é parte da multidão – Hindu, Maometano, Cristão, Indiano, Árabe, Japonês.
Feliz? Você sabe o que a felicidade é? Ela é Hindu, Cristã, Maometana?
A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história. A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre, o tempo desaparece, o espaço desaparece.
Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam pensar que haviam duas realidades – tempo e espaço. Mas ele disse que essas duas realidades não são duas – elas são duas faces de uma única realidade. Dessa forma ele cunhou a palavra espaçotempo, uma única palavra. O tempo não é nada mais senão a quarta dimensão do espaço.
Einstein não era um místico, senão ele poderia ter introduzido a terceira realidade também – o transcendental, nem espaço nem tempo. Isso também está lá, eu o chamo de testemunha. E uma vez que esses três estão lá, você tem toda a trindade. Você tem todo o conceito do trimúrti, as três faces do divino. Assim você tem todas as quatro dimensões. A realidade é quadrimensional: três dimensões de espaço e a quarta dimensão do tempo.
Mas há algo mais, que não pode ser chamado de quinta dimensão, porque não é a quinta realidade, é o todo, o transcendental.
Quando você está feliz você começa a se mover para o transcendental.
Isso não é social, isto não é tradicional, não tem nada a ver com a mente humana, de forma alguma.
(Osho, Extraído de: The Book of Wisdom)

04 novembro, 2009

CORAGEM (Osho)

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.

03 novembro, 2009

INANE (Cacau Loureiro)


Há um sinal nos céus...
Que para tudo há uma razão de ser.
Eu repouso meus dedos no papel e não
aquieto minha cabeça no travesseiro na
espera da inspiração ainda ausente.
Os pensamentos voam, os sentimentos doem.
E o sol que arde lá fora não ameniza
tristezas, não funde, não extirpa o que
está petrificado na alma; há o aço escaldante
a percorrer as veias num constante ir e vir de
decepções... estacionados atos sem valentia.
Calei o verbo em meu espírito tão perito, loquaz,
porquanto não há influxo para o embelezamento
das palavras, para o matrimônio dos desejos.
No meu peito não há voz, nos meus olhos não
há lágrimas, posto que não vem no vento as
vozes instilantes das pressupostas promessas.
Não há na chuva que há de precipitar-se a crença
na purificação das vaidades, na remissão
do egoísmo... na aceleração das vontades.
Há negras nuvens a injetarem paisagens mórbidas
em minhas vistas cansadas, ao meu tempo sem
alento, ao meu coração discrepante.
Não, eu não penso, formas invento de viver os
dias, de mover as horas, reajuntar meus sonhos,
dar consistência aos cacos.
Mas, eu prossigo consciente de que nesta vida
algumas pessoas vieram sem absoluto sentido
.