SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

09 setembro, 2009

ECLESIASTES CAP. 3

TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?

Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.

Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.

Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;

E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.

O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.

Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.

Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.

Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.

Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

TEXTO DE MARIA GUIDA ADAPTADO



Todos nós queremos ser livres e ter nossas decisões e atitudes respeitadas, aprovadas e, se possível, aplaudidas pelos que nos cercam. Todos queremos ser amados e aceitos, até mesmo por aqueles que não estão diretamente relacionados conosco. Queremos ser felizes, e não podemos conceber que essa felicidade não seja resultado daquilo que nos acontece todos os dias. E, se realmente é assim que sentimos e pensamos, temos que admitir que muitas decisões e atitudes daqueles que convivem conosco, nos afetam profundamente, e têm conseqüências imediatas em nossa vida. A simples afirmação de que somos todos um reafirma essa verdade universal, lembrando-nos de nossa integração e interdependência. Quando nos sentimos integrados ao todo, percebemos claramente que ela demanda uma grande responsabilidade e uma profunda compreensão. Responsabilidade em considerar o interesse no todo em todas as nossas escolhas, e compreensão, para respeitar e aceitar as escolhas que as demais partes do todo fazem a cada momento. Tudo isso parece muito lindo, quando as escolhas empreendidas por nossos semelhantes não resultem em frustração de algum desejo nosso, ou a não realização de nenhum de nossos planos. Quando algum de nossos conhecidos, vizinhos, amigos, companheiros de trabalho ou familiares nos nega aquilo que julgamos imprescindível à nossa felicidade, a tese da liberdade irrestrita cai por terra, e o outro, que até então era um ser tão livre e soberano quanto nós, passa a ser responsabilizado pelo nosso sofrimento e desdita. Culpar os outros pela nossa infelicidade é, em última análise, negar-lhes o bem mais precioso da existência, ou seja, a liberdade. O que nos mostra claramente que a parte de nós que quer ver satisfeitos todos os seus desejos, e aprovadas todas as suas atitudes, é aquela parte que não se tornou adulta, porque continua colocando nas mãos dos outros não apenas a satisfação de suas necessidades, mas a sua própria felicidade. O ser humano verdadeiramente adulto, assume a responsabilidade pela satisfação de suas reais necessidades, buscando-a na interação com os semelhantes, compreendendo que nem sempre elas serão totalmente satisfeitas, e que raramente as atitudes que tomamos para satisfazê-las contarão com a colaboração, aceitação e aplauso de todos. Deixar os outros livres para escolher o que desejam fazer, respeitar suas escolhas, livrar-se da necessidade de vencer a qualquer custo, aceitar perder disputas e habituar o ego a abrir mão de seus desejos, em nome de relações mais justas, são atitudes que despertam nossa verdadeira força e nos torna vencedores. Aceitar que aqueles que amamos não nos amem com a mesma intensidade, ou simplesmente não gostem de nós, compreender que nossos colegas de trabalho podem decidir se empenhar em projetos diferentes dos nossos, entender que nossos filhos podem ter e defender idéias até mesmo opostas às nossas. Respeitar posicionamentos, hábitos e costumes de nossos vizinhos estrangeiros, são exemplos simples de atitudes onde o ego deve ser vencido para que o ser humano e transcendente em nós seja o vencedor. A verdadeira vitória acontece quando nosso ego desiste de vencer. E ela acontece porque quando neutralizamos o ego, entramos em contato com nosso centro de poder e o colocamos á serviço da totalidade. Quando reconhecemos nos outros o direito de ser, seja esse ser favorável a nossos anseios ou não, reconhecemos nosso próprio direito ao prazer e à felicidade. Como conseqüências imediatas desse reconhecimento da liberdade do outro, seremos mais diretos e assertivos em nossas escolhas, mais espontâneos em nossos relacionamentos e mais verdadeiros em nossas atitudes, porque não precisaremos mais comprar aceitação e aprovação de ninguém. Só em contato com nossa própria essência, podemos ser, ao mesmo tempo, fiéis a nós mesmos, e a todos os seres do universo.Porque somos todos um.

08 setembro, 2009

PIOR DO QUE UMA VOZ QUE CALA, É O SILÊNCIO QUE FALA (desconheço autoria)

Simples, rápido! E quanta força! Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um E-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!" É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro. É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem...

07 setembro, 2009

AIN`T NO SUNSHINE

Regravação da música de Bill Withers, na belíssima voz, para nós desconhecida, da alemã Joss Loner.

NESTE VÍDEO ABAIXO BILL WITHERS NOS IDOS ANOS 70:

TEXTO DE IÇAMI TIBA

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se ! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!

04 setembro, 2009

ABSTER-SE















Abstenho-me em julgar algumas ações humanas,
afinal, não vim ao mundo para isto.
Minha missão não é apontar fortes nem fracos,
pois que sou apenas uma ramificação deste
universo, o qual esbanja harmonia e perfeição.
Em qualquer direção que nos propusermos a
olhar... fitemos e vejamos quantas maravilhas
sequer nos são perceptíveis...
Diante estamos de tanta correria!
Os princípios da tolerância e da caridade
massificaram-se em nós. A ambição destituída
do sentido de aperfeiçoamento moral, petrificou
a solidariedade entre os seres.
O mundo exige sacrifícios, bem o sabemos, mas
só os fortes sobrevivem e só os tolos não lutam,
quiçá amam.
O homem é um universo em si maravilhoso e
poucos se apercebem ou assimilam isto.
Apesar das injustiças a que nos submetem os
atuais tiranos, das armadilhas que nos armam
o próprio destino, das inversões de valores
com as quais nos acostumamos, das coações
do homem pelo homem com as quais nos
defrontamos, ainda encontramos nos seres,
em cada passo, o dom divino; o existir nos
comprava, sem maiores explicações o fato
em si.
As asas do autoconhecimento estão em nossos
corações, e estes voarão tão alto e longe enquanto
desejarmos.
Como já disse um poeta: “a felicidade não está onde
a procuramos, mas sim onde a colocamos”, partindo
desse princípio, o homem será livre sempre e jamais
deixará de buscar o remédio para as suas dores.
Em qualquer lugar que estejamos, grades jamais
apreenderão nossa imaginação inventiva, ou
cercearão nossa evolução criadora. E apesar das
misérias geradas pelos totalitarismos e pelas
desmedidas ambições humanas, os nossos corações
serão sempre libertos, imunes às utopias, porém,
sempre abertos às novas perspectivas de vida.

CONFIANÇA

TEXTO DE JORGE PAULO
(http://jorgepaulo.blogs.sapo.pt/)

A vida encarrega-se de nos tornar desconfiados. Mesmo os que não têm propensão para tal estado de espírito (como era o meu caso), com o passar dos anos e com as vicissitudes a que ficam sujeitos (as pequenas ou grandes facadas, os pequenos ou grandes golpes desferidos pelas costas, etc.) acabam por soçobrar àquilo que se torna uma simples evidência: confiar nos outros pode ser perigoso.
Bem sei que não é possível viver sem um mínimo de confiança nas pessoas. Até quando vamos a um café e tomamos uma bebida temos de acreditar que o empregado nos não serve veneno. Mas essa é outra questão. Trata-se daquilo que poderíamos chamar o nível I da confiança; sem este nível, a vida tornar-se-ia insuportável. Vislumbraríamos perigo em tudo e em todos, motivo pelo qual não seríamos capazes de agir. Reduzidos a observadores perigosos (sim, nós seríamos perigosos) do desenrolar da vida, ninguém teria a paciência necessária para nos suportar. Nesta falta de confiança básica se baseia a chamada teoria da conspiração que consiste em acreditar que uma desgraça se vai abater sobre nós, apesar de não haver qualquer indício sério de que tal possa vir a suceder.
Mas a confiança a que me referia é a que corresponde ao nível II. Trata-se de acreditar que as pessoas são justas e honestas, que nada fazem para nos prejudicar, que podemos ser francos e abertos com elas, mesmo que as não conheçamos bem, que não devemos negar-lhes ajuda quando para tal nos solicitam, etc. É certo que ainda penso ser possível atuar com base neste nível de confiança. Mas já não creio que o universo de pessoas em quem podemos confiar seja tão alargado como acreditava há poucos anos atrás. A vida encarregou-se de me roubar aquela candura que vê luz mesmo no meio da escuridão. E quando não aprendemos através de coisa miúda, acabamos por aprender à custa de uma carga bem pesada!
Apesar de tudo isto, vale a pena abandonar-nos aos outros de forma confiada; a questão está em saber escolhê-los. Antes, bastava que fossem pessoas ― isso para mim era já o bastante ―, hoje é preciso que me provem que o são inteiramente.