SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 março, 2016

EUCARÍSTICO (Cacau Loureiro)












Elevo meu cálice ao Teu Santo Nome...
Miragem no infinito que me inflama em fé.
Rememoro os tempos idos... e no entanto, tão
presentes em mim ainda hoje nesta humanidade
em desencanto.
Em teu semblante de paz, destituído de ódios,
o perdão é tua face mais bonita.
Em libações o teu poder me enche de esperança
e entusiasmo.
Abro-te meus braços, pois exercito receber-te
todos os dias e para sempre em sangue
santo, em suor bendito, transfigurados
em salvação em teus dolosos tormentos.
Mas a tua vitória estava de todos os tempos
escrita, patenteada pelo Altíssimo.
Somos diante de ti o grão de mostarda,
a árvore infértil buscando tocar em
teu manto de acolhimento e benignidade.
E quando nós tão bárbaros e pequeninos diante da
cruz, tu derramaste sobre nossas cabeças tanto amor.
Removam-se, pois as montanhas...
Removam-se, pois os pecados...
Removam-se, pois as potestades do mal
que habitam toda a face da terra...
Volta-nos Senhor teu semblante misericordioso
porque clamamos o teu perdão ante a desesperança
que habita nossos atuais dias.
Derrama sobre nós tua sabedoria imensa, tua
irmandade que nos fez teus filhos e também
teus irmãos.
Conta-nos suas parábolas para que possamos
renascer do ímpio trilhar de nossos pés, porquanto
não somos nada sem tuas inspirações benditas.
Elevo o meu cálice ao teu santo nome em memória
da tua eucaristia quando da divisão do pão e do vinho
jamais me abandonaste!...