LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




30 de maio de 2012

GEOIDE (Cacau Loureiro)

Vislumbro os quadrantes do mundo e
sei que rondam as nossas tendas os
que buscam nos roubar a paz...
Não há silêncio algum em mim, embora
tantas vezes me cale.
Quando ouvirei as respostas da Terra,
quando acolherei os ecos dos homens?!
Meu universo diminuto e resoluto como
infinito quebra-cabeças não me deixa
fazer parte deste jogo; por isto eu choro
e também ouso.
Quanto mais eu penso, mais eu ponho-me
a pensar, assim também me desconheço.
Descobri de repente que a minha verdade
está em ser eu mesma, e, eu mesma sou...
Quando descobrirem o que vejo com os
meus olhos e o que sente o meu coração,
a dinâmica até hoje vivida será desconhecida.
A força dos meus braços é um milésimo da
força que promana do meu espírito, porque
palavras em fúria também o sou.
Tudo isto, isto tudo... é porque descobri
estupefata que a minha indignação é a
pulsão que me faz sobreviver...

22 de maio de 2012

MILÊNIO (Cacau Loureiro)


Preciso entender a dureza dos que me acercam...

A insensatez dos egoístas, a cegueira ensaiada

no espelho das vaidades, vazios discursos.

Homens... humanoides na terra de ninguém?!

Quantos séculos precisaremos para aprendermos

a fazer os votos da sabedoria!...

Fé encubada nas torres dos templos profanados

pela soberba guiam os trilhos da modernidade.

Sigamos, pois, então velozes às estações de

lugar algum.

Haverão sinos para nos acordar?!

Tateio em derredor, entre os destroços os meus

dedos dedilham as notas pelas quais se vendem

os homens de Deus.

Vozes que nada me dizem ecoam em meus

ouvidos como zumbidos escarnecedores.

Desejoso meu espírito suplica pelos cânticos dos

dedicados guardiães das perdidas almas.

Eu quero entender...

O que me dói e me demora no peito não

sei dizer... pesa-me a vida em tantas vidas,

pesares. A vida presente eu sei, esta me dói...