04 maio, 2026

CORAÇÃO COROADO (Cacau Loureiro)


Depois das chuvas varrerem as calçadas,

eu continuo o caminho das germinações

poéticas, vida que se abre em mim como

flor do dia... beijando o sol, aquecendo

minha pele de tuas letras.

 

Por que tuas escritas ainda bordam palavras

no meu corpo de memórias, como o cintilar das

águas dos rios adentrando tua natureza densa

pulsante, generosa.

 

Eu sei que o destino não esqueceu de nós,

pois estava escrito nas estrelas esse cruzar

de essências paradoxais, mas confluentes

em êxtases de astros convergentes.

 

E as águas passarão de novo pelos moinhos

das vivências, porque a reza foi ouvida no

intrínseco da mãe terra, com seus veios onde

nutrimos os fios e ramificações de quem

se reconhece passe o tempo que passar...

 

Eu acendo os círios, preces que ascendem

aos céus, e sigo a procissão em petições...

andores em que deposito as flores da esperança...

rosas brancas, rosas amarelas, até as rosas rubras

dos desejos que não cessam.

 

Como os devotos sigo pelas vielas entre

poeira e fé, entre cânticos e rogos,

peregrinos das sarjetas em coro, na

convicção de que todo andor carrega

um coração coroado de saudade.

03 maio, 2026

ENTRE SARÇAS E PEDRAS (Cacau Loureiro)

Desafiei montanhas...

Por trilhas difíceis eu tentei subir

em minhas próprias planícies.

Regiões onde a essência humana

se perde de si mesma... atalhos

causticantes que me obrigam a

respirar.

 

Por isso eu mantenho o ar rarefeito

preso nos pulmões, nas sutilezas

de saber a hora de soltar.

Em suspenso, não podemos

escolher quais bifurcações seguir...

 

Então eu ando a esmo, deixo-me

ao vento das memórias porque

ainda elas me são alimento dentro

das trevas que não me saciam.

Água de beber em rios menos

tranquilos, cepos onde descanso

minha cabeça... Mas não há que se

endurecer ante novas paisagens.

 

Quando a natureza se harmoniza

com a alma, abrimos clareiras,

engendramos o espírito da floresta,

devastamos o isolamento.

 

Toco as águas correntes, hoje me

parecem frias, mas o sol alto vai

aquecer a substância que bebo de

histórias que me edificam.

Planto-me então, em consciência...

 

Mato a sede em campos orvalhados

quando de minhas noites solitárias;

o silêncio também é fera selvagem

a me espreitar entre as moitas

espinhentas dos perdidos... solo

infértil onde os afetos não resistem.

 

Apresso os passos... eu vejo uma

fenda onde uma luz se acende.

E sigo, porque somente o

despertamento da lucidez

fará-me ir ao encontro

de mim mesma, mesmo estando

entre sarças e pedras.

01 maio, 2026

TEMPORAL (Cacau Loureiro)

Deixe-me beijar as lembranças...

Pois é no teu corpo que elas se

comprazem noite adentro, e elas

revolvem meus pensamentos

para que eu possa aquecer

minha pele seca na textura

inesquecível do teu colo quente,

sempre nu em liberdade rubra...

carmim... cores exatas dos desejos.

 

E agora, por minhas mãos, correm

as lágrimas, sal do teu corpo feito

líquidos para matar-me a sede de

agora, para lavar-me o seio de

saudade que me chega como lua

baixa sobre meus ombros.

 

Jogo-me na cama, dossel dos teus

carinhos, olhares profundos a invadir

minha alma extasiada, encanto a

luzir em meus olhos tristonhos ante

suas pérolas de âmbar ardentes.

 

Trago de volta o meu pertencimento...

não posso deixar que me leves

para onde vais, já que deixaste aqui

o meu coração endurecido no abraço

que não vem, na ausência que não

dorme... avança pela madrugada.

 

E sigo teus passos desenhados na areia

de um tempo que não morre mais em

mim, criando dunas que se lançam para

além dos horizontes de amores perdidos.

 

E todos os dias o sol nasce e se põe

lá no alto, move nuvens e faz crescer

no céu azulíssimo a tua luminosa imagem,

quando tuas escaldantes águas desabam

sobre mim... Temporal.

 

OBLÍQUOS (Cacau Loureiro)

O chão amanheceu molhado...

Chuva densa que me acordou por
noites inteiras, e plantou-me os pés...
Mas, as claridades insistem em
penetrar os meus olhos para que
melhor eles enxerguem os dias
que estão por vir.

Não há mais motivos para lágrimas,
o chão fértil reflete o céu onde as
nuvens são curativos para as almas
rasgadas... Ninguém manterá o direito
de me apunhalar pelas costas porque
hoje vejo o quão muitos estão perdidos
em seus trajetos oblíquos.

Deixa-me andar pelas sendas que eu
mesma abro com minhas mãos, seguir
pegadas alheias e truncadas é se perder
pelo caminho e empunhar sozinha a
flâmula e a espada.

Escolho abrir as asas, vertiginosamente,
mirar o céu que me é alívio e clareza, e
assim sobrevoo o mar dos desprezos
como quem agora só vê as profundidades.

Limpei as mãos, levantei-me do solo dos
cegamente permissíveis para crescer em
escolhas coerentes; já não abrigo egotistas.

Sacudo a poeira que me atou os passos,
lama e chuva agora levantam muros, e
labirintos eu edifico com coragem para
manter os insensatos bem longe dos
diamantes que eu poli para enriquecer
minha estrada que haverá de ser bonita.

30 abril, 2026

VIDA EM GRAÇA (Cacau Loureiro)


Ante a vida, devemos estar dispostos...

Como recusar os encontros,

se a vida é sopro

e o vento a leva

num instante?


Abro os braços

às correntes benéficas dos alísios

que retemperam a alma,

transmutam sentimentos,

enquanto o divino em nós

sussurra sossegos.


Há uma música

a embalar as alegrias:

dias de sol,

folhagens exuberantes

alimentando a esperança.


Viver é saber:

há um Criador

bom e generoso.


E estar nesse estado

é viver em graça,

em gratidão 

propenso às boas coisas do caminho.


Entre burburinhos e silêncios,

esse som me move.


Não há retorno

quando a jornada

é crescimento.


Empurrei janelas

para tocar claridades,

abri portas

para mergulhar no mundo

que já reconheço.


Minhas mãos, em poesia,

escrevem minha história,

feita de aço,

de corações frios...

ainda assim, prossigo.


Porque minhas águas de afeto

são termais,

aquecidas na minha gema

pelas mãos da terra,

pelos dedos incansáveis

de um Deus

tão bonito.

28 abril, 2026

VÉU E VINHO (Cacau Loureiro)

 

Cerrou-se um véu sobre minha juventude...

Não mais olharei para trás com os mesmos

olhos; nas teias do passado envelhecido

apanho conceitos arcaicos, retorcidos como

raízes em seu estágio terminal, para queimar

na fogueira.

 

Há uma fênix escondida nos vinhedos, onde

o vinho ainda está em broto verde no tanino

das colinas... pedregosos caminhos que dão

sabor aos mananciais da alma: pleno voo de

coragem.

 

Entre montanhas, a fumaça que consumiu lapsos,

chama ardente que calcinou tudo, mas não se

extinguiu nem em cera, nem em pavio.

 

O vento sopra mudanças, rascante é a verdade;

estopim é a caminhada que vai deixando sinais,

cinzelando carne, ossos e músculos.

 

Sob tênue luz eu preparo recomeços, lagar em

que macero frutos sob os pés, sangue novo

a dar sabor à vida.

 

Os raios da manhã acordam minhas órbitas,

não preciso ir tão longe para saber algumas

sendas; a rajada forte puxou meus cabelos,

revolvi memórias... delibo a vida, pois essas

paisagens do agora me serão eternas...

FITA AMARELA (Cacau Loureiro)


Ganhei uma fita amarela, 

amarrei-a no pulso para dar sorte... 


Deposito fé na energia 

que me ofertas... 

Até o intocável 

pode ser promessa. 


Quero ir à praça 

para ver teu sorriso, 

comer pipoca, tomar guaraná, 

ver as crianças brincando na rua, 

os gatos correndo para os becos, 

pombos querendo partilhar companhia. 


Porque a vida é sol 

aquecendo o peito esperançoso 

de amores bonitos, 

de companhias suaves, 

de palavras sinceras. 


Lealdade é viver em compromisso... 

Ser feliz na alegria de partilhar o simples, 

como bola de gude para almas crianças, 

como pipa nos altos sopros do destino. 


Porque este, sim, deve ser colorido: 

longas rabiolas serpentando o infinito, 

aquele que teus olhos fitam, 

estes teus olhos que eu flerto 

no dia dos namorados, 

nos fogos que explodem no céu 

trazendo mais um auspicioso ano. 


Onde te abraço e fico, 

onde te olho e permaneço 

nesse desejo catito, 

pois nesse dia magnífico, 


eu só quero te namorar.


24 abril, 2026

INDIVIDUAÇÃO (Cacau Loureiro)

Canções rejuvenescem a alma,

prossigo nas melodias suaves

da vida, com passos a destemperar

minha têmpera de aço.

 

Em meio a tantos laços, respiro

minha essência; ser e me reconhecer

frente ao espelho revela-me humana.

 

Meus olhos aquosos enriquecem

o espírito em buscas profundas,

itinerário de quem descobriu as

belas afinidades, enquanto aquilo

que não vibra comigo segue sua

própria empreitada.

 

Rimo alegrias e prantos, pois crescer

é perceber as nuances dos caminhos;

a existência é permanente busca de

preciosas joias, raridades dos encontros.

 

Nem sempre as trilhas serão breves,

mas seremos alquimistas de nossos

próprios percursos… em compassos

interiores, em sintonia consigo,

adentrando as cifras que comporão as

canções que darão sons e ritos,

tornando-nos viajores em busca

da nossa própria evolução.

22 abril, 2026

PRECES AO MAR (Cacau Loureiro)


As esquinas correm ante meus olhos,
busca insana que faço para me encontrar,
onde ficou o que deixei pelo caminho?

Ante as imagens que correm, eu agora
sigo devagar, mas minha verve intranquila
ainda busca as estradas; ainda conta as
estrelas que me seguem do alto, no vão
do tempo que deixei para trás.

Todas as músicas a moverem meus olhos
e músculos, em cinestesia, que me faz sentir
mais fundo, faz-me querer ir mais alto
e meu espírito vai além.

Vozes fazem as cantorias em meus sonhos,
cantares, louvações para a vida que há de
vir, embalando o sol em meus dias luzidios.

Sim, porque me seguem os feixes de luz
que me tecem as palavras, onde o meu
corpo anda em poesia, onde meus lábios,
em preces, abrem caminhos — minha alma
mergulha nessas águas batismais.

Vou ao mar, respiros das forças naturais,
minhas plantas na areia; oferendas do céu vêm
e vão… lavam meus pés, refrigeram meu
espírito — assim levo o vento em minhas mãos…
No seio farto da natureza, eu fico a pensar…

Há um Deus que é mulher.

21 abril, 2026

BENDITO VINHO (Cacau Loureiro)


Há batidas de alegria em minha porta,

a brisa sussurra bendita música

em minhas horas mortas e eu colho

o cheiro dos teus cabelos...

 

Minha alma dança...

no ritmo das coisas simples e bonitas que

em ti transbordam, em perfumes e notas.

 

Em teu charme debruçado na janela,

teu sorriso me convida, e sigo

nos movimentos dos teus braços,

marcados em minhas lembranças

de tantas noites belas,

 

porque és também amanhecer translúcido

nos dias que me foram nublados, e agora

ressurjo em lampejos coloridos.

 

Tua chuva abundante

escorre em meus lábios e pernas,

beijo exigente que me toma após

tudo que tocaste em mim e deixaste

gravado em minhas mandalas.

 

Teu nome vem das estrelas,

acende constelações em meu peito,

viagem que faço de olhos vendados,

 

pois mergulhar às cegas é preciso

para não saber

o quão fundo posso chegar

nessa rosácea embriaguez.

 

Sem armadura, coração destemido,

eu posso sangrar entre aromas e buquês

do teu corpo seleto.

 

Porque somente sangria e vinho

me permitem sentir

o real sabor da vida

que ora habita em mim.

20 abril, 2026

SEM DOBRAS (Cacau Loureiro)

Não nasci para caber.


Sinto com intensidade.

Não é escolha.

É natureza.


Amei com presença,

fiquei onde já não havia permanência,

sustentei silêncios que não eram meus.


Não por falta de lucidez,

mas por excesso de sentimento.


Hoje, não me basta sentir.

Preciso reconhecer.


Não me abandono mais

para que algo exista.


Não deixei de amar.

Deixei de insistir onde não há encontro.


Menos urgência.

Mais verdade.


Menos ilusão.

Mais presença.


Porque não me dobro.


Se vier, que venha com verdade.

Se ficar, que seja por escolha.


E se for amor,

que me encontre inteira.

18 abril, 2026

EQUINOCIAL (Cacau Loureiro)

Esse outono que agora vive em mim

é música interminável…


A poesia me beijou os lábios

e fez nascer os versos mais bonitos,

porque o amor é nascente e não tem fim —

rede a balançar nos ventos da paz,

gosto de fruto saboroso a ser colhido no pé.


Pensamentos que me fazem completa

no que ora sou, pois abracei as rimas

que nasceram do teu sorriso precioso,

pérola buscada em mergulho profundo

no mar do que me foi desengano.


Carvão e cinzas a me transformar

no melhor que hoje reconheço,

porque, cantando o movimento humano,

vou descortinando rios, mares,

semente e flor naquilo que em mim

tu despertas.


Mãos do invisível a aliviar dores antigas,

a endireitar caminhos opacos,

a me presentear com teus olhos luminosos,

abrindo atalhos em florestas densas,

antes temerosas.


Sendas, clareiras, estradas — eu abro,

como um rio que segue seu fluxo

para o mar imenso, arrastando tudo,

a correr sobre folhas secas

que se foram na ventania do passado,

tornando fértil o que me foi infecundo.


E fez subir esse sol ameno

de um equinócio inesquecível,

fazendo-me nascer os sonhos

em vento morno que aqueceu meu peito

e varreu para o oceano minhas amarguras.

16 abril, 2026

MAR DE DENTRO (Cacau Loureiro)


Movimentos de dentro tentam se expor,

é difícil conter o impulso da vida, pois

ela pulsa na direção dos ventos solícitos...

nem todos sabem sobre as gentilezas.

 

Mas eu levanto da cama com a energia

dos que querem mudança, num salto

de entusiasmo para conexões profundas.

O raso não preenche meu espírito de

presenças; é na ausência que aprendo,

e também ensino.

 

Violinos fazem meu coração bater

com a força dos bastões que, no atrito,

tecem os sons mais bonitos

nas cordas de almas encantadas.

 

Histórias não podem ser frustração

para sempre... a poesia salva e liberta.

Por isso prossigo nos caminhos das letras:

elas se expandem como estrelas,

salpicando o céu tenebroso dos hipócritas,

clarões de luz a abrir rotas de colisão,

rompendo, transmutando dimensões

que só o espírito humano alcança.

 

Escancaro as portas: a felicidade

é caminho, é estação, é porto,

estrada para descobrimentos.

 

Há um mar imenso onde mergulho,

braços e pernas em busca da ilha e

do istmo nas ondas temerosas

do indômito que habita o meu corpo.

 

Há um fanal para os perseverantes...

Entre água e céu, ventania que sopra

em meu rosto, inflando as velas que

aprumam meus rumos...

Mar de dentro a encontrar destinos.

15 abril, 2026

BAILE DO CAOS (Cacau Loureiro)


Ouço essa canção bonita

que me alcança a alma…

 

Ela revolve a poeira dos meus porões,

desloca tudo do lugar

e me conduz às dimensões

do que foi belo em minha jornada.

 

Soltei ao vento

as caminhadas mais difíceis.

Não havia como carregar

as estacas dos coléricos

como mochilas que me travavam

diante das montanhas

das minhas buscas interiores.

 

Quis trazer para perto

aqueles que, como eu,

já haviam sangrado tanto…

porque já não me permitia

sangrar diante dos que

escolheram outros atalhos.

 

Perante os combates brutais,

essa música sempre me visitou…

recolhendo-me ao silêncio

para não revidar

as incongruências.

 

Nos ecos da ira,

sacrifiquei as palavras.

Moinhos a extrair pedras das águas

que, ainda assim,

purificaram meu espírito.

 

A vida é uma dança tão complexa:

cada um sente o ritmo

conforme o preparo do corpo,

seja material ou imaterial.

 

Sentir a música da existência

é rodopiar a alma

na ponta da lâmina dos caminheiros,

lanhos que nos burilam

para o grande baile do caos

e nos fazem peregrinos do eterno.

 

E, entre sedas, cetins e diamantes…

Misteriosas personas...

convidar o humano em nós

para esta imperfeita contradança.

IRREVERSO (Cacau Loureiro)

 


Apago as luzes…
e as cortinas pesadas
sussurram diálogos desconexos.

Quantas interrogações deixamos
para depois…
se todas as respostas
já se anunciam em silêncio.

A minha medida
jamais será a do outro.

Caminhei só
por meus próprios caminhos…
e a solidão, em voz alta,
desdiz tantas certezas.

A mente viaja —
território extraordinário
onde sigo ao lado
de um estranho que sou.

Ecoam por dentro
sons que me atravessam,
levando-me de um lado a outro…
e a vida dança,
insistindo em mais.

Passos no infinito do ser,
descompassados
pelas dicotomias da alma.

Semicerro os olhos…
para suavizar a luz
que invade minhas sombras.
Por que, ainda, evito os clarões
que me revelam veredas?

Deixo as bagagens
em seus devidos lugares.
Lanço um último olhar
ao que fui
e sigo.

Jamais retornarei.

Entro no trem da vida…
o agudo apito, a fumaça;
parto para, enfim, ser irreversivelmente
de verdade.

14 abril, 2026

SEIVA E ALMA (Cacau Loureiro)


Entre folhas e frutos,

perfumo minhas mãos...

 

Nos cheiros que me chegam às narinas,

aspirar é também compreender:

há algo que me preenche

e me soergue.

 

Mãos generosas guardam néctares

capazes de reavivar espíritos fatigados.

E eu não sei por que

essa estrada que sigo

tanto me cansa.

 

Ainda assim, planto.

 

Planto sementes

com cheiro de flor,

sementes que darão polpa

a todo fruto bom.

 

Na sombra, descanso

deste mundo

de ruídos confusos

e pessoas distraídas...

 

A natureza,

mãe da mansidão,

nos cura no silêncio.

 

E, em sua abundância,

nos ensina:

a vida não cessa,

apenas continua

a ofertar suas promessas.

 

Então eu paro o tempo,

olhos a contemplar os

mínimos movimentos

de galhos e pistilos.

 

E me faço criança

sob árvores frondosas,

onde a seiva é densa

nesses caminhos invisíveis.

 

Ali, planto meus pés na terra.

Ali, revigoro o meu coração.

 

À beira de um rio caudaloso,

minha alma frutifica;

e aprende

a esperar

com convicção.

 

Porque o tempo

é Senhor

de todas as coisas...