14 abril, 2026

SEIVA E ALMA (Cacau Loureiro)


Entre folhas e frutos,

perfumo minhas mãos...

 

Nos cheiros que me chegam às narinas,

aspirar é também compreender:

há algo que me preenche

e me soergue.

 

Mãos generosas guardam néctares

capazes de reavivar espíritos fatigados.

E eu não sei por que

essa estrada que sigo

tanto me cansa.

 

Ainda assim, planto.

 

Planto sementes

com cheiro de flor,

sementes que darão polpa

a todo fruto bom.

 

Na sombra, descanso

deste mundo

de ruídos confusos

e pessoas distraídas...

 

A natureza,

mãe da mansidão,

nos cura no silêncio.

 

E, em sua abundância,

nos ensina:

a vida não cessa,

apenas continua

a ofertar suas promessas.

 

Então eu paro o tempo,

olhos a contemplar os

mínimos movimentos

de galhos e pistilos.

 

E me faço criança

sob árvores frondosas,

onde a seiva é densa

nesses caminhos invisíveis.

 

Ali, planto meus pés na terra.

Ali, revigoro o meu coração.

 

À beira de um rio caudaloso,

minha alma frutifica;

e aprende

a esperar

com convicção.

 

Porque o tempo

é Senhor

de todas as coisas...

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