01 maio, 2026

TEMPORAL (Cacau Loureiro)

Deixe-me beijar as lembranças...

Pois é no teu corpo que elas se

comprazem noite adentro, e elas

revolvem meus pensamentos

para que eu possa aquecer

minha pele seca na textura

inesquecível do teu colo quente,

sempre nu em liberdade rubra...

carmim... cores exatas dos desejos.

 

E agora, por minhas mãos, correm

as lágrimas, sal do teu corpo feito

líquidos para matar-me a sede de

agora, para lavar-me o seio de

saudade que me chega como lua

baixa sobre meus ombros.

 

Jogo-me na cama, dossel dos teus

carinhos, olhares profundos a invadir

minha alma extasiada, encanto a

luzir em meus olhos tristonhos ante

suas pérolas de âmbar ardentes.

 

Trago de volta o meu pertencimento...

não posso deixar que me leves

para onde vais, já que deixaste aqui

o meu coração endurecido no abraço

que não vem, na ausência que não

dorme... avança pela madrugada.

 

E sigo teus passos desenhados na areia

de um tempo que não morre mais em

mim, criando dunas que se lançam para

além dos horizontes de amores perdidos.

 

E todos os dias o sol nasce e se põe

lá no alto, move nuvens e faz crescer

no céu azulíssimo a tua luminosa imagem,

quando tuas escaldantes águas desabam

sobre mim... Temporal.

 

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