21 abril, 2026

BENDITO VINHO (Cacau Loureiro)


Há batidas de alegria em minha porta,

a brisa sussurra bendita música

em minhas horas mortas e eu colho

o cheiro dos teus cabelos...

 

Minha alma dança...

no ritmo das coisas simples e bonitas que

em ti transbordam, em perfumes e notas.

 

Em teu charme debruçado na janela,

teu sorriso me convida, e sigo

nos movimentos dos teus braços,

marcados em minhas lembranças

de tantas noites belas,

 

porque és também amanhecer translúcido

nos dias que me foram nublados, e agora

ressurjo em lampejos coloridos.

 

Tua chuva abundante

escorre em meus lábios e pernas,

beijo exigente que me toma após

tudo que tocaste em mim e deixaste

gravado em minhas mandalas.

 

Teu nome vem das estrelas,

acende constelações em meu peito,

viagem que faço de olhos vendados,

 

pois mergulhar às cegas é preciso

para não saber

o quão fundo posso chegar

nessa rosácea embriaguez.

 

Sem armadura, coração destemido,

eu posso sangrar entre aromas e buquês

do teu corpo seleto.

 

Porque somente sangria e vinho

me permitem sentir

o real sabor da vida

que ora habita em mim.

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