28 abril, 2026

VÉU E VINHO (Cacau Loureiro)

 

Cerrou-se um véu sobre minha juventude...

Não mais olharei para trás com os mesmos

olhos; nas teias do passado envelhecido

apanho conceitos arcaicos, retorcidos como

raízes em seu estágio terminal, para queimar

na fogueira.

 

Há uma fênix escondida nos vinhedos, onde

o vinho ainda está em broto verde no tanino

das colinas... pedregosos caminhos que dão

sabor aos mananciais da alma: pleno voo de

coragem.

 

Entre montanhas, a fumaça que consumiu lapsos,

chama ardente que calcinou tudo, mas não se

extinguiu nem em cera, nem em pavio.

 

O vento sopra mudanças, rascante é a verdade;

estopim é a caminhada que vai deixando sinais,

cinzelando carne, ossos e músculos.

 

Sob tênue luz eu preparo recomeços, lagar em

que macero frutos sob os pés, sangue novo

a dar sabor à vida.

 

Os raios da manhã acordam minhas órbitas,

não preciso ir tão longe para saber algumas

sendas; a rajada forte puxou meus cabelos,

revolvi memórias... delibo a vida, pois essas

paisagens do agora me serão eternas...

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