10 março, 2026

ELEMENTAL (Cacau Loureiro)

Eu sou maré...


O vai e vem das ondas é força

que me arvora.

 

Sou o estrondo do mar que

afasta incautos, areia que

se limpa na água salgada.

 

Cicatrizes curadas pela lua,

brilho na pele tecido pelo sol.

 

Vento forte que afasta

os estagnados

e abre estradas entre montanhas,

descerra caminhos para flechas

lançadas rasgando os céus.

 

Meu braço é lança que se

alça cortando o mal,

e planta os pés feito raiz

para renascer do invisível

feito relâmpago —

clarão que arranca máscaras

e faz tremer a terra.

 

A mãe Gaia me abençoa:

olhos de lince,

ouvidos de mariposa...

fazem-se presentes

espíritos ancestrais.

 

Um chamado me clama,

grito que acorda os adormecidos,

chama ardente que espanta a

noite. Brasa que crepita na beira

do rio, aumenta o lume

e transforma meu coração

em ouro raro, em

fogo consumidor.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.