10 março, 2026

CÉU DE AÇO (Cacau Loureiro)


A natureza das coisas é intrínseca.

O meu tempo emprego em observar,

jamais me equilibrar na espada afiada

dos arbítrios.


Apenas seguir pelos caminhos

das reciprocidades, e assim,

é por eles que eu quero ir.


No céu que hoje desaba proceloso,

bebo, aos goles, as luminosidades:

limpidez da alma traduzida em lealdade,

transitando pelas vias daqueles

que ajuízam sobre a jornada

que, a ferro e fogo, engendrei.


Sobre todas as leis cunhei

as letras da verdade,

porque nela selei as asas

das reais oportunidades,

no grande amplexo

das filigranas dos afetos

que tracei.


Já as águas de março que

abundantes vertem

por todos os canais

que a vida em mim sulcou

em prantos... eu a alma lavo,

não as mãos.


Areias e pedras expostas

à natureza dos homens,

mas abertas, francamente,

às belezas dos céus.


Largo é o meu riso: acolhimento,

ritmo de uma verve

que não aprendeu a sussurrar

sobre a vida inteira que me cabe,

têmpera de aço

forjada em entusiasmo.


E sigo inteira,

porque a natureza das coisas

se curva, cedo ou tarde,

diante daqueles

que guardam intacta

a própria claridade.

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