30 março, 2026

ALGORÍTMO (Cacau Loureiro)


Incomoda-me demais o gasto das palavras...

minutos infindos articulando sons que me

desnudam a alma de forma corajosa...


Sopro que vem de dentro feito dádiva,

tentando preencher o outro com o

espírito santo dos crucificados

pela massificação

de uma coletividade alienada.


Então profiro palavras, flechas

que querem dizer tanto,

mas não têm suas sílabas reverberadas,

porque o ouvir virou feed

que nossas mãos paginam apressadas.


Androides, seguimos os ditames

das redes distorcidas,

tecidas em mandamentos

de ostentações celebradas;

quadrados onde toda sociedade

tenta se encaixar,

mesa farta

das distorções cognitivas.


Assim, as palavras ao vento não

preenchem as bocas abertas, 

ávidas de vazios modernos,

travadas por discursos manipulados,

em padrões impostos por algoritmos

que regem uma sociedade escravizada.


Sem emoção, vazios, os emojis

não tocam a sensibilidade,

manietada pelo estático

de quem não se movimenta para 

energia vivaz do sagrado da palavra.

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