31 março, 2026

SAPIENCIAL (Cacau Loureiro)


Sempre do alto descem as luzes.

E como recusá-las,

se são elas que rasgam a noite da alma

e me mantêm de pé,

em paz;

único sustento nas eiras revoltas

da humanidade?


Sigo.

Por vias sinuosas, sim,

mas com o sol coroando minha cabeça

e um sopro antigo aceso no peito,

esse impulso que me impele

a desbravar-me.


A vida…

não é senão filosofia encarnada

no coração que se curva...

onde a guerra já não encontra morada,

e só o que brota de dentro

tem força de verdade.


Porque o divino insiste em mim.

Sempre.

Tanto.

Com tamanha intensidade

que a poesia me transborda:

escorre dos dedos,

inunda os olhos.


E é essa vida que escolho,

a que me alcança em luz,

nas palavras que me foram sopradas

ainda menina,

pelos mestres primeiros,

que ensinaram com afeto

e a severa doçura

de suas missões sagradas.


Por minhas mãos, eles retornam:

ganham corpo, gesto, presença e

atravessam-me como telas vivas.


E a eles, eu rezo.


Porque formar a juventude

é tocar o invisível como ofício

é ser, ainda que por instantes,

ungida

por espíritos sapienciais,

através das claridades do céu.

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