06 abril, 2026

MENESTREL DO TEMPO (Cacau Loureiro)

 

Hoje saí às ruas… coloquei meus tênis antigos,

fui ver as paisagens inspiradoras das manhãs…

O velho gritava em meu âmago, mas amarrei os

cadarços, prendi-os às pegadas do que já não

me serve nem me move.


Vencer mais um dia para mim já não é

desafio… pessoas, sim, me desafiam,

são como palmilhas do que beira o risível.

Mas eu sempre recomeço, assim como o sol,

sejam dias claros ou sombrios.


Marquei em meu calendário os segundos.

Ando com pressa, mas com os olhos atentos

ao que se passa em derredor;

meu coração aedo insiste ainda em fazer rimas,

intentando esmaecer os absurdos.


Há um tempo para todas as coisas, embora

o meu lapso se estenda para além desse solo

que piso, dessas nuvens que passam.


Olho meu rosto no espelho e vejo a criança

célere a correr pelos quintais da existência.

E há algo tão bonito nisso que me espelha...


Não sei por que as músicas me invadem o plexo

e me impulsionam a escrever sobre letras mortas,

num exercício contínuo de reavivá-las:

é o meu próprio renascimento como ser.


Nas minhas andanças, meu peito se abre

aos toques do que é incorpóreo, sutilezas

do etéreo. Assim percebo que o menestrel

da vida é o tempo-presente.

É ele que nos devolve a humanidade.

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