22 março, 2026

MERIDIANO (Cacau Loueiro)

Fim de tarde... o sol desceu em camadas

alaranjadas... misturou-se às ondas brancas,

exuberantes — seio farto nos deleites da vida.

 

Aspirei os bons ares dos livres passos,

espaço onde eu mesma caibo inteira.

 

Marolas lavando os pés das pressas

desnecessárias — Cronos é o mestre

no ritmo humano das aspirações errantes.

 

Beijo o sal em minhas mãos,

purifico a aura... ensinamentos esquecidos

nos tempos que nos correm ante os olhos,

deixando marcas no corpo.

 

O horizonte faz a escrita das estrelas,

relampeja histórias entre nuvens escurecidas...

 

Enquanto a melancolia marca a areia,

o mar apaga as pegadas das dilações passadas

 

A brisa marítima esvoaça pensamentos

que transpassam a linha do infinito aparente

e se deixam descansar nas águas.

 

Singro a vida no embalo desse entardecer luminoso,

respingos frios na face, cabelos em desalinho

selvagem ante o poder da natureza misturam-se

nas rotas dos sonhos, coração em longitudes...

anoiteceu...

                                                         

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