25 fevereiro, 2026

PROVISÃO (Cacau Loureiro)

Portões fechados… Mas… ainda

há um céu azul sobre minha cabeça,

onde nuvens se ajuntam para dar.

Há abundância nos recolhimentos,

onde os incômodos sublimam as

máscaras das ostentações, que eu sei,

são passageiras.


Enquadro os muros que me cercam,

foram pintados com detalhes no intento

de deixar-me imune ao caos de algumas

almas superficiais que adentraram, outrora,

em minha tenda com permissão.


No meu jardim, as lágrimas de chuva

intumesceram os frutos que haverão

de ser colhidos com intenção. Porque

não mais serão hissopo de azedo vinho.


Nem sempre a colheita vem no tempo

que se espera; dentre as sementes

há sempre as que não prosperam e,

teimosas, apenas preenchem espaço,

despendem um tempo precioso… 

Não amadureceram: foram súbita fartura

nas tempestades desérticas de quem

passou em caravanas.


Mas que tudo seja bom cultivo, para

que a mesa se ponha em abundância —

nem toda prodigalidade aplaca a fome,

nem toda água é capaz de matar a sede

de quem cavou na aridez o próprio oásis.

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