28 janeiro, 2026

SILÊNCIO É VOZ (Cacau Loureiro)

 

Eu aspiro o ar dos justos, não me foi fácil

chegar a esse caminhar profundo.

Isso não me protege de escolher outras

bifurcações; o caminho é sempre um rio

longo que adentra nossa escuridão.

 

No caos pouco encontrei sinais de paz,

mas a coragem de descobrir-me sempre

me deu as mãos nas travessias dos desertos,

música que eu canto entre muros íngremes.

 

Minha armadura radiante, meu sorriso luzente

me elevam ante espadas de seres emergentes.

Nos chicotes que me lambem a alma,

as feridas cicatrizam; por isso

renasço, sobrevivo, insisto, permaneço.

 

Meus pés no chão, minhas mãos na terra

me lembram que humildade não é rendição

e que o meu silêncio não é dureza,

quiçá desvio — é retidão.

 

Há um guia que me limpa os olhos,                                                       

mesmo nos lamentos, para que eu enxergue

mais longe, para que eu seja forte.

Isso não me coloca acima de ninguém,

apenas me equilibra em mim mesma,

para tecer, no bastidor da vida,

uma existência inteira em dignidade.

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