07 setembro, 2023

DESPERTA (Cacau Loureiro)


 Vem! Desperta para a minha boca 

que roça os teus lábios, sedenta... 

vem aplacar a urgência do meu cio.

Vem dar luz aos meus olhos que 

perscrutam o teu corpo, vem dar sentido 

às mãos que afagam o teu colo suado.

Meu corpo molhado, distorcido, não 

cansado, excitado misturado ao teu... 

faz-me viajar, chegar aos céus...

A tua pele, o teu corpo, o teu hálito, 

o teu cheiro, este sonho que é tanto 

há de ser mais que encanto... tesão 

puro e verdadeiro.

Vem, desperta! Vem beber o néctar

fresco e viscoso que há em meu

secreto corpo, vem provar o gosto

da libido que transborda do meu

desejo tolhido e caprichoso.

Vem, sem medidas, delibar o que

há em minhas entranhas, degustar

o mel de minhas palavras indecentemente

inocentes, atrevidas.

Desperta e vem! Para me beijar a boca,

para me seduzir a alma, para me intrigar

a cabeça, para me deixar indefesa, sem

sentidos, com sentido de anuência.

Abraça-me, fala-me indecências, solta

ao meu ouvido este grito reprimido de

desejo, de tesão, pois que estarei na

vigília, na espera... do teu gozo, do

teu corpo, do teu sexo.

O meu desejo não tem pudor, não tem

acanhamento; é impaciente, não aguenta

mais a urgência, e eu não quero me livrar

deste pecado, eu não quero resistir a

tentação, quero a demência...

Desperta e vem! Coloca-me na tua cama,

deixa à mostra minhas costas, o teu

falo... nem te falo..., confessas-me as

mentiras todas tuas, profanas, sacanas,

façamos um carnaval!... e eu, dar-te-ei

a prova do meu puro amor carnal.

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