13 setembro, 2023

VERTIGEM (Cacau Loureiro)

Comprime-me o cerne fina dor que 

constante e cortante segue em desafio

rumo ao meu ventre.

Em brasa, em desejo, em paixão

sinto-te presente em carne e osso,

em aura e espírito.

Não sei como conter esta força supra-humana,

atrativa que em mim é fogo, e me consome; 

é ferida aberta, acesa chama...

Quero os teus lábios, o teu sopro,

os teus dons mais próximos, em mim.

Cruel extravagância, ávida inspiração

que como fome atiça-me ao desatino.

E eu viajo em teus sons, em tuas letras

indefesa. Confesso-te que tudo arde

em fogueira insana, que tu me feres...

Não mais sei onde começa, onde

principia o teu encanto, já não mais

sei que direção estou seguindo, pois

que também não quero adiar toda esta

fúria do querer que me vai tomando.

O que me impele ao teu rosto, à tua pele

deixa-me em febre, em viração e calmaria.

Neste paradoxo em que me encontro

eu me debato... quero o teu ombro, o

teu colo, quero os teus beijos, arrebatar

todos os meus desejos em teu abraço.

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