Teus olhos ainda me são mistérios…
E agora tento descobrir tuas cores nesse
relampejo que por instantes cegou os meus.
Tua silhueta, em retratos e lembranças,
desenhou apenas tuas sensuais curvas
e eu agora te rascunho com minhas mãos,
nos movimentos dos ventos
que já me trazem teu cheiro…
As belezas dos teus músculos contornam
tuas pernas — macias, vigorosas —
derramando-se em benesses
sobre meu corpo dormente de desejos.
E eu te bebo nas águas do mar,
em espuma que me embriaga o espírito
sequioso, matando em mim sede antiga
em dias longos e saborosos,
deitados no teu sorriso poente,
tentando adivinhar tuas sílabas.
E eu te tomo no sumo das surpresas,
nas ondulações dos teus cabelos claros,
embebidos de sol, salpicos de ouro
que rebrilham em teu corpo luzente.
Repouso então os meus quereres
nos fios de um céu translúcido
que me teceu um oliva novo.
E eu te busco nos balbucios,
silêncios das promessas,
orações lançadas ao universo
num sussurro de futuro multicor.
Há uma cor a mais neste arco-íris
que me invadiu as artérias
e me pintou as asas
para os maiores voos,
agora, em tua direção…
como velas acesas em aromas e matizes
deslizando nas ondas dessa
incontida emoção.

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