15 março, 2026

INFINITO BREU (Cacau Loureiro)


Há um culto a se cumprir neste dia de domingo,

acender lembranças. O sol brilhante faz

uma oração no horizonte azulado,

onde o astro-rei surge em sua realeza

e em infinito amor pelos homens.

 

Na poeira do destino, os passos seguem

ao encontro do entardecer,

onde as estrelas irão iluminar os sonhos

e conduzir as dores à escuridão...

constelações onde adormecerá

tudo aquilo que se deixou de viver.

 

No chão, os pés doridos riscam percursos

que já não possuem placas nem sinais;

chão batido nas canções do tempo

que me fizeram conhecer as distâncias.

 

Acelerado, o peito ainda guarda sensações...

O corpo fala mais que as palavras

silenciadas pelo irascível orgulho dos

que ainda não aprenderam a maturar o que

há de mais belo nos seres.

A guerra interior é capaz

de tornar tudo em terra arrasada.

 

Paisagens passam velozes ante

minhas buscas vãs:

cercas que abraçam alqueires,

montes que limitam sentimentos.

Cavalgadas em missões de salvação

permanecem perdidas

na densa vegetação onde sombra e luz

confundem minha ótica enevoada.

 

Há um culto a se cumprir neste dia de domingo.

Quando a noite chegar, estrelas cintilarão

ainda fechadas em meu coração...

em preces ao eterno breu.

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