01 março, 2026

ESTRELAS RÚSTICAS (Cacau Loureiro)


Não me importa que as chuvas

me isolem na calçada.

A providência refaz picadas por onde os alazões

me levam aos rios.

Não mais mergulharei vestido de cavaleiro,

nem o berrante me acordará

para os aboios repetidos.

 

O trote das virtudes

não sustenta amores rústicos.

 

Avisto montanhas vicejantes,

onde, no alto, plantei flores mais belas,

e das rosas, as mais vermelhas.

 

Hoje abraço os vazios,

vento súbito que dispersou pensamentos,

força indômita

que não salvou nem matou

meus versos, minha voz.

 

Adentro clareiras solitárias

e tento pousar minha cabeça

sobre pedras mal talhadas.

 

Sob o páramo carregado, disfarço lágrimas;

no peito, um peso antigo fala

de histórias soterradas.

 

Porteiras escancaradas ante o céu

denso de estrelas

não me devolvem

a música das violas enluaradas.

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