28 novembro, 2023

NOVO TEMPO (Cacau Loureiro)

 

Há um novo cenário para se plantar as sementes do

futuro porque já não mais cabe um espírito embrutecido

que não avança nem pela dor e nem pelo amor e que na

estagnação do orgulho e do egoísmo parou sua jornada,

descartou afetos, minimizou acertos, reparações, aprendizado.

A vida nos bate em pagamento e não adianta exigirmos

a transformação daqueles que por hora estão confortáveis

nas escolhas do não... do aqui permaneço, daqui não saio.

O progresso do ser virá como grandes ondas e nos arrastará

para frente e para o alto, posto que não há permissão para

se voltar atrás, dar de ombros.

E no passado bem próximo, eu olhei para dentro, fitei as

correntes arrebentadas, lavei os pulsos, mas, não as

mãos... olhos abertos, enxaguados, sem o véu que só

me fez ver o outro e não a mim mesmo.

Penso que zerar a vida é deixar a alma elevar-se ante o

novo que nos desperta, é deixar o passado nas cinzas,

fazê-lo ensinamento não ferida acesa, cicatriz aberta...

E o passado como pó se foi no vento da surpresa do hoje...

Esvaneceu ante a dádiva, diante da prenda do destino, 

grata luz, na alva graça de uma nova chegada, ponte firme

do abraço acolhedor!...

Há uma chama a aquecer meu espírito em grandes

valores para edificar e fazê-lo crescer em humanidade...

que me fez surgir num instante as asas do autoconhecimento

para me cientificar que cada um segue o seu trajeto...

Alguns seguirão conosco, outros ficarão à beira do caminho

até que aspirem os ares da mudança ou alcem os olhos para

enxergar além do agora porque o que há de vir é promissor.

Haveremos de levantar, fazer rolar as pedras, pôr abaixo os

muros da indiferença e ter o grande encontro das raras almas,

das almas gêmeas forjadas no amor!

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