16 novembro, 2023

HIALINO (Cacau Loureiro)

 

Há pressa neste mundo louco, neste louco mundo...

Mas, as horas passam devagar no teu sorriso, nos

teus beijos, em tua cama ampla de doações.

Há um arrepio de desejo neste frisson do lado em

que me fizeste conhecer o sol, e esta claridade que

o teu amplo seio me apresenta diz-me também

do vítreo amor, do olhar profundo que conversa sobre

a vida que neste instante se apresenta admirável.

Há um buquê de rosas vermelhas, há versos de azul

profundo e roçar de lábios espessos para te dizer do

romance que empreendi com o tempo, pois que a vida

me retomou em essência, em fundamento porque vida

há em ti, origem de todo bem-querer.

E há tanto a beber nestas nascentes das grandes

devoções, nas fontes dos grandes saberes, há que se

atravessar as pontes extensas do coração humano...

Mas, somos ainda pequeninos grãos a espraiar-nos

na lavoura da permanência impermanente do globo,

leitores insipientes da cartilha da lição terrestre que

nos prepara para a grande viagem do espírito.

O que importa é que a minha estância chegou, é o agora...

hora de abrir os punhos, rasgar o peito, abrir as mãos

de antigas bagagens e pegar o trem dos recomeços,

viajar por estes trilhos que me levam a tua natureza

abastada e conhecer estas paragens chamadas terras

do sem fim onde o astro-rei me abraça e a lua me beija

apresentando-me o cristalino universo do amor!...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.