07 novembro, 2023

ARÔMATA (Cacau Loureiro)

 

Trago-te aqui, pois, ao abrir os meus

olhos, lembrei de ti... o dia se fez bonito

como o teu sorriso, como teus lumes,

como a tua voz que cantarola esta

bonita canção em mim.

 

Busquei teus cheiros — os aromas que

de mim não se apartam —, pois sei que

as mãos do invisível tocaram a minha

substância e a perfumaram com olências

intocáveis do divino... amar... amor.

 

Deito-me para sonhar contigo, de janelas

abertas; miro os espaços imensos que não

me cabem e me deixam do avesso.

 

Nas paredes, melodias sinceras e profundas

sussurram palavras graciosas que ainda ecoam

em nós... reluzem como os teus olhos,

movem-se como o teu corpo...

exalam os teus eflúvios.

 

Minhas mãos perfumadas, meu coração

arômata, após o bálsamo dos teus lábios,

exalam a mais fina essência do meu ser...

olores raros da vida…

 

e em mim permaneces,

como fragrância que não se dissipa.

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