17 junho, 2022

CALIGEM (Cacau Loureiro)

 

A neblina baixa ante meus olhos, espreito um

caminho diferente... contundente, indecifrável.

O que houve em minha jornada? Um lapso?

Um espaço que se abriu entre o antes e o agora

e me faz sofrer, e faz-me questionar todos os

meus conceitos caducos.

Num tempo em que o mundo se transformou no

caos, o meu cosmo interior clama pela revolução!...

Você eu que nos presumimos donos de tantas

verdades não sobrevivemos a realidade maior.

Pés presos as correntes de um espírito envelhecido

para os novos tempos, visão distorcida para a

amplidão de sentimentos... A expansão do ser

cobra o seu preço para os alienados, os cerceados

de coragem, tantos doentes de juízos vãos.

Entorpecidos estamos nos parênteses que é a cama

mortal dos desvairados, dos cheios de si mesmos.

Perdemos a chave da confiança, naturalizamos as

escolhas aéticas, reféns estamos na mesquinhez

humanoide que deteriora o espírito criador, a

liberdade divina, a ascensão da alma.

A guerra real das reles criaturas na face da Terra não

é mais mortal que o aniquilamento do espírito humano

em si mesmo.

Fechamo-nos para a árvore da vida que nos fez poetas

da eternidade, as máscaras de ferro hoje encerram

nossos sonhos em elos rompidos e corrompidos...

Decrépitos e arqueados para a visão do outro como

nós mesmos, pois, esquecidos de nossas raízes, somos

hoje avatares da escuridão!



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