07 julho, 2011

ÁDVENA (Cacau Loureiro)


Através de portas e janelas recolho-me em
minha fria cela...
Como descobrir a que mundo pertence
outros seres que como eu, por meio de seus
vãos interiores, as suas vidas descerram?
Eu quero para mim o que para ti queres...
Não há meio termo quando abraçamos a renúncia
do não, as causas que não nos elevam...
Quando me desconheço não reconheço o
que comigo segue, como mostrar caminhos
se não sabes que caminho segues?
Ao contrário do que se professa, o egoísmo
rasteja silencioso... feito serpente espreita,
feito cicuta envenena.
Estrangeiro sou nas terras do inconcebível,
nas raias dos temerosos...
Exponho minhas armas, abro o peito à franca
luta, no embate a que me entrego eu prefiro
as bestas-feras.

2 comentários:

  1. Um belo texto, lindo post.
    Bjs

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  2. A poesia, a arte sagrada, vários tentam fazer da poesia uma parte de suas vidas, mas você consegue fazer com ela tenha vida e sentimentos próprios. Parabéns, poetisa! Lindos textos!

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